dor,

Com dor mesmo.

Hoje acordei e pensei: gostaria de passar o dia na cama. 
Minha vontade era não sair de casa,  não ver ninguém. Não falar com ninguém. 
Pensei que seria maravilhoso fugir pra algum lugar onde as saudades e a dor não pudessem me alcançar.
Mas eu me levantei. 
Fui com dor mesmo.
Me arrumei, lavei meu rosto,  passei filtro solar, com dor mesmo. 
Ajeitei minha casa, com dor mesmo.
Entrei no uber, conversei amenidades ,com dor mesmo.
Fui na nutricionista,  me cuidei. Com dor mesmo. 
Brinquei com minhas cachorras,  planejei viagens,  conversei com amigas. Com dor mesmo. 
Fiz planos com meu marido, tomei um café vendo um vídeo bobo no YouTube.  Com dor mesmo. 
Fui pra academia,  entreguei um bom treino de pernas.  Tirei foto sorrindo.
Com dor mesmo.

Pq a vida não pára  pra vc recolher os cacos do seu coração. 
Pq apesar de parecer um absurdo (e parece) a vida continua, apesar de tudo.
A vida é isso. 
Dias incríveis.  Dias terríveis. 
E a gente tem que seguir em frente. Com fé e a certeza de que Deus continua sendo bom, e continua sendo Deus.



Um ps:
Todas as vezes que vou tomar banho eu ligo o chuveiro bem quente,  e deixo a janela aberta. 
Quando entro e a água quente toca meu corpo, eu fecho os olhos e torço pra sentir uma brisa fria. Quando essa brisa vem, sou imediatamente transportada para antes de 2008, pro nosso apartamento lá em Rio Preto.  
Pra quando éramos nós três. 
Não sei pq isso acontece,  mas a água quente com a brisa fria me faz transbordar de recordações e sentimentos. 
É um momento bom do meu dia.  
Um momento em que meu coração se enche de gratidão e saudades. 
Sinto tantas saudades. 
Sinto tbm uma tristeza imensa por todas as novas recordações que nunca teremos. 
Mas a gratidão é certamente maior do que a dor. 

Todas as vezes que vejo um pouco de minha mãe em mim mesma,  na minha irmã, sinto que a vida continua,  e que a não presença não significa ausência. Ela continua entre nós.

Hoje tomei 3 banhos quentes. 

dor,

Um ano voando sem ela...

Um ano sem minha mãe, minha amiga, minha referência de vida e na vida.
Um ano voando sozinha por esse mundo.
Difícil continuar sem ela, ainda tenho muito de filha em mim, sinto falta das conversas, do dia a dia.
Da presença.
A presença que permanece nas lembranças diárias, nos presentes espalhados pela casa, em cheiros, lugares e programas de TV. E no meu reflexo no espelho.

É a presença constante, com o vazio da ausência.
E isso dói todos os dias, e vai doer pra sempre.
E está tudo bem.
Pq faz parte da vida. Deus nos dá o lado feio pra que possamos valorizar o belo. Eu já disse antes e repito: se eu pudesse escolher não ter passado por toda essa dor, com outra mãe. Eu optaria por passar por tudo isso com a minha. Pq a dor de sua ausência não é maior do que as boas lembranças, do que os 36 anos que pude viver com ela.
Dói não tê-la aqui, hoje um ano depois não é mais desesperador, descobri que sou mais forte do que imaginava, mas ainda assim dói.

Nesse um ano sem minha mãe aprendi muito.
Fecho esse ciclo muito mais forte, mais fiel a mim mesma, valorizando o que realmente significa e vivendo tudo com mais intensidade, pois hoje carrego em mim a lição da vulnerabilidade da vida. Tudo pode mudar em um piscar de olhos.

E quando isso acontece, vc não se lamenta pelos diplomas que não obteve ou pelo dinheiro que não guardou, vc se lamenta pelas viagens que não fez, os assuntos que não finalizou e os sentimentos que não viveu.
Vc se lamenta pelo tempo perdido com mediocridades, pelos livros que não leu, os abraços que deixou de dar...

Por isso digo: Valorize o que é eterno, esteja rodeado de pessoas do bem, não force relacionamentos abusivos, não se contente com a insatisfação e frustração, recomece sempre, não tema parecer boba, perdoe, peça perdão, se livre das mágoas, zere sua conta, cuide de você e das pessoas que caminham contigo.

E não esqueça: 

Deus é bom o tempo todo.
A vida é sincera.
O que vc plantar, colherá.
E só fica o que significa.

"De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças. "
Cecília Meireles

dor,

Dor e gratidão


"Pacientemente sentei e esperei que a chuva cessasse (...). 
O calor veio aos poucos e o céu foi limpando com o tempo (...). 
O meu céu ficou azul, então... e aqui já não chove mais.”


Dia 08/11 fará seis meses que minha mãe se foi. 
Na verdade faz mais tempo, porque ela começou a ir bem antes. Até antes do diagnóstico, quando pensamos que ela estava entrando em depressão, tememos que ela estivesse com Alzheimer precoce. Esquecimentos, tristeza, choros desproporcionais, medos, confusões. 
Parece que foi ontem. De um dia pro outro tudo mudou.
Ela foi indo embora aos poucos. 
Por um lado foi bom poder ter esse tempo pra aproveitar, pra nos despedir todos os dias, pra curtir cada momento. Por outro lado foi devastador ver minha mãe deixando de ser ela mesma. 
Não me esqueço de nenhum momento, desde o diagnóstico, exames, hospital, cirurgia, quimioterapia, rádio, recidiva, os momentos finais, até a última vez que olhei nos seus olhos. 
Mas com muita alegria posso garantir que são as outras lembranças que tomam conta do meu coração. As lembranças dos dias felizes, sem doença, ou dos dias que esquecíamos da doença. E Deus nos agraciou com tantos bons momentos!

Todos os dias eu me lembro.
Seja por causa de uma música, um programa na TV, um "Bazzinga" do Sheldon, uma imagem de macaco, uma gracinha das cachorras, um filme de monstros ou uma comida que faço, algo que conheço...Me lembro dela nas pequenas coisas do dia a dia. Tenho ímpetos de telefonar todas as vezes que algo acontece na minha vida. Me lembro dela todas as manhãs, que era quando nos falávamos pelo telefone. 
As vezes, como hoje, essas lembranças transbordam pelos olhos e eu choro. Na maior parte dos dias essas lembranças tiram de mim um suspiro, em alguns momentos até um sorriso. 
Mas todas as vezes dói.

No entanto, a dor é felizmente muito diferente da depressão. 
Ela é triste, terrível, mas não deixa de ter sua esperança. A morte da minha mãe me abalou imensamente, mas não me mergulhou em trevas insuportáveis. Nunca perdi o desejo de viver, apenas por não tê-la aqui. E encontrei verdadeiro consolo em Deus e Sua palavra, também no amor do meu marido, da minha família, amigos e até de estranhos. Deus é bom!

Recentemente estive em Rio Preto, foi a primeira vez desde que ela morreu. 
Eu estava com medo, haviam centenas de lugares que eu receava ir, por estarem tão repletos de lembranças dela. Mas foi bom estar nesses lugares. Eu senti como se fosse mais uma fase do luto pra atravessar. Estar com minha irmã, meu padrasto, no apartamento, na casa das minhas tias, passar em frente a sacaria, as ruas onde ela andava, tudo me lembrava ela, e o que achei que seria dilacerador foi de certa forma confortante. Não sei explicar.
É um misto de dor e gratidão. 
Dói não ter minha mãe, mas sou imensamente grata pelo tempo que tive. Por tudo que vivemos, fizemos e sentimos. Por todas as lembranças. As boas que me fazem sorrir, e as tristes que me fazem mais forte. 

Hoje enquanto escovava os dentes, depois de uma tarde de muito choro, pude perceber que estou feliz. As coisas estão voltando ao lugar. 
Vezenquando chove por aqui, mas isso não é motivo de infelicidade. Me sinto cada dia mais forte. E sei que amanhã será mais fácil do que hoje, porque hoje foi mais fácil que ontem.

O tempo acaba trazendo o alívio. 
Mas ele não se apressa, e essa espera é uma incrível escola de crescimento pessoal. 


"E eu quero é andar por esses caminhos para ser a prova viva do que acontece quando a gente tem esperança;
E eu quero é andar por esses caminhos para ser a prova viva do que acontece quando a gente tem perseverança."

câncer,

É preciso seguir em frente.


Quase um mês.
Quase um mês que parte de mim foi embora. 
Que perdi meu porto seguro, a pessoa que eu buscava pra tudo, minha amiga, minha mãe. 
Quase um mês vivenciando o luto.
Durante o luto, tudo dói. Há dias em que é quase insuportável permanecermos em nós mesmos.
E dói de tantas maneiras, e de uma forma tão profunda que eu acredito que seja impossível descrever. 
Dói por dentro, rasgando o peito. 
Dói silenciosamente. 
Dói o tempo todo, todos os dias. 

Vamos seguindo a vida, vivendo nossa dor em uma realidade paralela.
As vezes me parece injusto que a vida siga seu rumo como se nada tivesse acontecido. Como se um coração não tivesse parado de bater. Como se eu não estivesse destroçada por dentro.
O sol nasce e se põe. As pessoas trabalham, as louças se sujam, filmes são lançados, vamos as compras. A vida segue. 
A nossa vida segue. No momento em que tudo acontece parece que o tempo para, e a sensação é de que você nunca mais vai conseguir sorrir, nunca mais vai querer conversar, mas não é assim a dor do luto. Ela não é paralisante, Ela é constante. Pelo menos por aqui tem sido assim. Uma dorzinha constante que aparece em qualquer hora do dia, uma vontade de gritar que você engole, as lágrimas que teimam em vir aos olhos quando as lembranças chegam. E elas chegam. 

Me sinto sozinha. Me sinto órfã. Apesar de ser uma mulher adulta e casada. Me sinto órfã. 
Cadê minha mãe? quem vai me ajudar agora? É engraçado, pq ela vinha sendo cuidada pela gente, nos últimos dias estava totalmente dependente, e ainda assim eu me lembro claramente de nos momentos de troca de fralda, meus olhos encontravam os dela e eu sentia que podia passar por isso. Ela me fortalecia, mesmo sem dizer nada. 
No último dia antes dela ser sedada, ela já não falava, eu conversei com ela segurando em sua mão, ela estava me entendendo, mas não conseguia falar. Eu disse a ela pra descansar, que ficaríamos bem. Ela apertou minha mão, sorriu e chorou. E foi a última vez que meus olhos encontraram seus olhos. Que eu senti seu toque. 

É difícil perder alguém que você ama.
É muito difícil perder uma mãe.
É muito difícil e pesado perder a mãe pra um câncer.
É muito difícil, pesado e devastador perder a mãe para um tumor cerebral como o GBM.
Pq do começo ao fim você sofre. Você luta contra todos os terríveis prognósticos. Você tenta ter esperança mesmo com tantas notícias ruins. Você sofre no diagnóstico. Sofre durante a cirurgia interminável. Sobre durante a rádio e as quimioterapias. Sofre ao pegar cada resultado de ressonância. E você passa o tempo todo temendo pelos momentos finais. 
Só entende o que estou dizendo quem já passou ou passa por essa luta.

Eu pedi muito a Deus que aliviasse seu sofrimento, que seus últimos dias fossem abreviados, não queria ver minha mãe em uma sonda, sofrendo dia após dia até partir. E Deus atendeu minhas preces. Mesmo assim é difícil. Por mais que você se prepare, você não está pronto. Por mais que você espere que isso vá acontecer no fundo você ainda tem uma esperança de que um milagre ocorrerá e tudo voltará a ser como antes dessa doença. 

Conforme os dias passam a saudade só aperta, tudo me lembra minha mãe, sinto um aperto no peito várias vezes ao dia.
EU sempre soube que seria difícil, mas nunca imaginei que seria tão difícil. 
Tem sido um período de mudanças, descobertas e muito aprendizado.
E é um processo íntimo, individual e solitário. 
O luto precisa ser vivido, para não vivermos de luto.
Eu aprendi que preciso chorar. E eu tenho chorado. Não existe nada que traga maior alívio do que deixar as lágrimas caírem. Do que vivenciar os momentos de dor cara a cara. Depois das lágrimas vem aquela sensação de paz, uma saudade cheia de amor, recheada de lembranças gostosas, e eu me pego sorrindo ao lembrar de coisas que vivemos. 
E pronto, lavo meu rosto e estou pronta pra seguir a vida. 
Esse é o ciclo que funciona pra mim. 
Encarar o sofrimento, chorar a dor, sentir a paz e seguir a vida.
Aprendi que ser feliz não implica em não haver nenhuma dor.
Aprendi que ser forte não é ser frio. Ser forte é passar pela dor, chorar a dor, encarar a dor e seguir em frente. 

Minha mãe sempre foi minha melhor amiga. 
Sempre fez todo o sentido que ELA fosse minha mãe. Não poderia ser outra pessoa. 
Não pq ela era perfeita, ela nunca foi, nem nunca fingiu ser. Mas pq sempre fomos uma dupla. Sempre funcionou. E funcionou até o último dia. 

Existe vida após o luto. 
Uma vida mais consciente de que o tempo é curto, de que os amigos verdadeiros sempre estarão do seu lado, que família é tudo, e sobretudo a certeza de que Deus continua sendo bom apesar de tudo. 
Usando as palavras de meu marido, Celso: É preciso viver o luto, para não viver de luto. As horas tristes permeiam as horas de alegria, e a isso chamamos vida! E passamos por isso! A dor e o consolo nos formam, transformam, nos conformam a Cristo! São dEle os dias mais felizes, assim como são dEle os dias mais tristes! E Ele é bom. E cuida de nós.


"Por sobre a estrada amanheceu e anoiteceu.
E eu vi que os dias mais sombrios também são Teus...
O fogo me queimou, mas me aqueceu.
A luz que me cegou, me fez ver Deus...
Minha'alma se fartou, sem água e pão...A mãe da esperança é a provação..."
Estevão Queiroga - música A partida e o Norte

dor,

Feliz dia das mães.

"Mãe é parceira das horas certas e também incertas. É ombro nos arrependimentos e bronca construtiva nas escolhas mal feitas. Mãe é censura e também ternura, cheiro de afeto e lembrete de “engole o choro”, intuição abundante e oração incessante.

Ao nos lembrar de nossas mães, nos lembramos de quem fomos. Pois a construção e lapidação de nossa existência se confunde com antigos sons chamando no portão, cheiro de perfume conhecido borrifado nos pulsos, lembrança de arrumar a cama e tirar os pés do sofá, assobio afinado, vestido lavado e delicadeza em forma de cuidado.

Não há saudade maior que saudade de mãe. Pois mãe muda de casa, mas não sai de dentro da gente. Mãe muda de estado, mas não se desliga. Mãe percebe que o filho cresceu, mas não desiste. Mãe carimba passaporte, mas não sai de perto da gente." 
(Fabíola Simões - A soma de todos os afetos)


Meu primeiro dia das mães sem minha mãe aqui. 
Eu já conhecia as saudades da distância geográfica, mas nada se compara a não tê-la mais aqui. Nunca mais ouvirei sua voz, nunca mais receberei uma ligação ou mensagem de whatsapp, nunca mais. 
Ficam as lembranças das coisas simples, o aperto no peito quando vejo algo que ela gostava, a sensação de estar sozinha no mundo sem ninguém pra me direcionar. 
Quem vai cuidar de mim agora? 
Meu consolo vem de Deus, que é soberano e cuida dos seus. Meu consolo vem da certeza de que ela está com o Senhor. Minha paz vem do sentimento de "missão cumprida". Eu amei minha mãe e fui amada com toda intensidade e verdade possível. Sempre muito próximas, dividindo tudo. Minha mãe se foi e nossa conta estava zerada, sem mágoas, sem nada mal resolvido, sem mentiras e principalmente sem QQ dúvida do amor que sentíamos.

Se eu puder te dar um conselho, filho (a) que tem sua mãe aqui, nesse dia das mães, em vez de um presente material, sente-se com sua mãe, e feche a conta. Coloque na mesa as mágoas, segredos, e se resolvam. E principalmente não deixe de dizer e mostrar com atitudes que a ama. ❤️

Minha mãe, hoje eu gostaria de lhe oferecer uma música da minha infância. Está tudo tão distante, mas o refrão ainda ecoa em meus ouvidos. Tudo que eu mais queria era poder cantar de novo: “Mamãe, mamãe, mamãe, eu me lembro o chinelo na mão, o avental todo sujo de ovo, se eu pudesse eu queria outra vez, mamãe, começar tudo, tudo de novo…”







"... Segura teu filho no colo sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui, que a vida é trem bala parceiro e a gente é só passageiro prestes a partir..." 💔

câncer,

Vivendo o sofrimento.


"Qual seria o papel do sofrimento? Só nos curamos de um sofrimento depois de suportá-lo até o fim. Acredito que o sofrimento seja como uma sala de aula, um curso preparatório que devemos frequentar para possibilitar mudanças... Quando fugimos do sofrimento e buscamos fórmulas milagrosas para abreviá-lo, estamos na verdade lutando contra milhões de anos de evolução. Viva então o sofrimento como um encontro pessoal lindo com aquilo que você é. Aproveite para escrever, refletir, descansar. Lutar contra o sofrimento cansa, enquanto aceitá-lo e entendê-lo descansa. E saiba que dele podemos renascer, não necessariamente mais fortes, mas certamente mais preparados para a nova fase".

Sabrina França


Estou aqui. Vivendo todo meu sofrimento.
Chorando tudo que precisa ser chorado.
Hoje separamos as roupas dela, levamos fraldas, remédios, colchão e algumas roupas pra doação em um asilo. As outras roupas dividimos entre nós. Minhas tias ficaram com bastante coisa.
Foi muito difícil mexer nas coisas dela e pensar que ela se foi. Foi muito difícil pegar os batons, os colares, as blusas que ela gostava...foi muito difícil estar ali sem ela.
Fiquei achando muito injusto. Injusto o sol nascer, a vida seguir. Injusto que eu tenha bons momentos, que eu ria, que eu coma, que eu viva. Sem ela aqui.
Fiquei pensando em tudo que ela queria e não teve.
Em como ela queria viver. 
Eu preciso pensar em tudo isso, preciso sofrer tudo isso, chorar tudo isso. Pra poder seguir em frente. E é o que tenho feito.

cancêr,

Minha mãe se foi...




Minha mãe descansou.
Foi encontrar com Jesus.

Tudo se resume a Dor, sofrimento, exaustão e mais sofrimento.
De todas as formas possíveis.
Ela passou o último mês completamente dependente, sem andar, sem conseguir sentar direito, e com poucos momentos de lucidez. E passou a última semana internada, sem conseguir falar, abrindo pouco os olhos. Vivemos o temido Estagio Terminal, e nesse momento nós passamos do: "Meu Deus ajude minha mãe a melhorar" para o "Meu Deus, por favor, recolha minha mãe para que tudo isso acabe..."
Vê-la indo embora foi a coisa mais difícil que já vivi na vida. Por mais "preparada" que eu estivesse, por mais que eu tenha lido, estudado sobre a doença, por mais que eu tenha acompanhado casos na internet...eu não estava pronta pra tanta dor. Ela foi se apagando dia após dia. Perdendo movimentos, lucidez, dormindo cada dia mais, até partir.
Meu Deus.
Essa doença, a qual eu nunca tinha ouvido o nome antes de acometer minha mãe. GLIOBLASTOMA MULTIFORME. Esse é o pior câncer que existe, é a doença mais triste e devastadora que já vi na vida.

Não estou questionando Deus, ou tentando entender porque isso aconteceu com ela, com a gente. Não. No momento só estou grata pq ela não está mais sofrendo, pq ela foi encontrar o Senhor, pq ela está livre de toda dor, doença e lágrimas.
Que o Senhor traga consolo pra todos nós.


"Irmãos, não queremos que vocês sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que não se entristeçam como os outros que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, cremos também que Deus trará, mediante Jesus e com ele, aqueles que nele dormiram. "
1 Tessalonicenses 4:13-14

"O justo perece, e ninguém pondera
isso em seu coração;
homens piedosos são tirados,
e ninguém entende
que os justos são tirados
para serem poupados do mal. Aqueles que andam retamente entrarão na paz;
acharão descanso na morte. "
Isaías 57:1-2

dor,

Sobre surpresas e dor.


Existem dois tipos de pessoas: as que amam surpresas e as que detestam.
Eu sou do segundo tipo. Detesto surpresas. Gosto de estar em terreno conhecido, de saber onde estou pisando.
Aquela coisa de vendar os olhos pra surpreender com um presente jamais funcionaria pra mim. Primeiro pq sou claustrofóbica ao extremo e segundo pq detesto surpresas.
Sabe aquele ditado: "o que os olhos não veem o coração não sente"? Nunca entendi. Prefiro ver, sentir, chorar, sofrer. Não saber talvez seja um dos piores sentimentos do mundo. Não saber pra onde vc vai, não saber o que virá ao seu encontro. Tá, mas eu comecei falando de olhos vendados e surpresas e agora estou divagando sobre coisas mais profundas...sim, pq está tudo ligado.

Quem gosta de estar no controle, gosta e pronto. Sou esse tipo de pessoa. Gosto de saber se me darão uma festa de aniversário pra me vestir adequadamente, pra preparar minhas emoções. Gosto de ter um ciclo menstrual regulado pra saber exatamente quando a  cólica chega e quando vai embora. Gosto de rotina, horários marcados e listas. Gosto de saber a verdade.Ainda que doa, Ainda que me dilacere.

Mas nem sempre as coisas acontecem como gostaríamos.
Nem sempre a vida te avisa que vai tirar seu chão. Ela simplesmente tira.
Nem toda dor avisa quando está chegando. Ela chega e pronto.

A dor pode chegar de mansinho na forma de uma enxaqueca insistente, a cólica de todo mês, uma depressão leve, as saudades de casa ou a solidão que machuca por uns dias. E vc (eu) normalmente está preparado pra esse tipo de dor. São as dores aleatórias de nossa vida, fazem parte. O ônus do bônus. Nós mulheres já nascemos preparadas pra enfrentar uma certa dose de dor diária. Somos todas candidatas a super heroínas, começando nossa carreira com a orelha furada logo nos primeiros meses de vida.
Enfim.
Dói. E tá tudo bem. Vc já espera por isso.

Então tem aquela surpresa da vida. Aquela reviravolta. Aquele tipo de dor que vc simplesmente não consegue ignorar, em um nível tão grande que bloqueia todo o resto. Tudo desaparece. E vc precisa lidar com isso. Não adianta fingir que ela não está ali
A verdade é que não tem pra onde correr. A vida vai te machucar. As vezes vc terá avisos, as vezes até outdoors brilhantes (que normalmente vc vai ignorar), mas as vezes ela te pega numa curva, distraída, e bam! Te joga no chão. E aí? Como reagir?

E eu que sempre gostei de controle, eu que gosto de saber onde piso e detesto olhos vendados, me pego as vezes maquiando a dor. Fugindo dela. Ignorando. E eis uma surpresa pra mim rsrsAs vezes penso que talvez se eu ficar quieta aqui fingindo que ela não existe, ela vá embora. Não que eu não a tenha encarado. Encarei. Olhei nos olhos da minha dor. Esmiucei cada detalhe, fui até o fundo e cheguei a conclusão de que não saber é sim um dos piores sentimentos do mundo, mas as vezes saber demais também é terrível.
As vezes é melhor ficar em um terreno incerto, pq no desconhecido pode ter medo mas tbm há esperança.


"A dor. Você só tem que sobreviver a ela, esperar que ela vá embora sozinha, esperar que a ferida que a causou, cure. Não há soluções, respostas fáceis. Você só respira fundo e espera que ela vá diminuindo. Na maior parte do tempo, a dor pode ser administrada, mas às vezes ela te pega quando você menos espera, te acerta abaixo da cintura e não te deixa levantar. Você tem que lutar através da dor, porque a verdade é que você não consegue escapar dela e a vida sempre te causa mais.”


Meredith Grey.


Ana Jácomo,

Ei dor, eu não te escuto mais.


Olhando daqui, percebo que pessoas e circunstâncias tiveram um propósito maior na minha vida do que muitas vezes, no momento de cada uma, eu soube, pude, aceitei, ler. 
Parece-me, agora, que cada uma, no seu próprio tempo, do seu próprio modo, veio somar para que eu chegasse até aqui, embora algumas vezes, no calor da emoção da vez, eu tenha me rendido à enganosa impressão de que veio subtrair. A vida tem uma sabedoria que nem sempre alcanço, mas que eu tenho aprendido a respeitar, cada vez com mais fé e liberdade.

O tempo, de vento em vento, desmanchou o penteado arrumadinho de várias certezas que eu tinha, e algumas vezes descabelou completamente a minha alma. Mesmo que isso tenha me assustado muito aqui e ali, no somatório de tudo, foi graça, alívio e abertura. A gente não precisa de certezas estáticas. A gente precisa é aprender a manha de saber se reinventar. De se tornar manhã novíssima depois de cada longa noite escura. De duvidar até acreditar com o coração isento das crenças alheias. A gente precisa é saber criar espaço, não importa o tamanho dos apertos. A gente precisa é de um olhar fresco, que não envelhece, apesar de tudo o que já viu. É de um amor que não enruga, apesar das memórias todas na pele da alma. A gente precisa é deixar de ser sobrevivente para, finalmente, viver. A gente precisa mesmo é aprender a ser feliz a partir do único lugar onde a felicidade pode começar, florir, esparramar seus ramos, compartilhar seus frutos.

Tudo o que eu vivi me trouxe até aqui e sou grata a tudo, invariavelmente. Curvo meu coração em reverência a todos os mestres, espalhados pelos meus caminhos todos, vestidos de tantos jeitos, algumas vezes disfarçados de dor.
Eu mudei muito nos últimos anos, mais até do que já consigo notar;
mas ainda não passei a acreditar em acaso.


(Ana Jácomo)

dor

Momentos







e mesmo os fortes têm momentos de fraqueza.
e mesmo os que dão o ombro precisam de colo.

dor,

E eu...gostava TANTO de vc...


Muitas vezes a gente precisa perder as pessoas pra descobrir o valor que elas tem. Só descobrimos a importância de uma pessoa depois que elas se vão. E isso aconteceu comigo ontem.
Entrei na internet e tive a pior notícia da minha vida. Meu amigo-irmão morreu.

Meu amigo jovem, cheio de vida, lindo, e de repente ele não existe mais nessa terra.
Não vamos mais nos ver, não vou mais ouvir sua voz, sua risada, não vamos mais trocar olhares cúmplices, não vamos mais lembrar histórias do passado juntos. Pronto. Acabou. Ponto final. Assim de repente, sem nenhum aviso, sem preparação nenhuma. Ele se foi.

E não existe nada que eu possa fazer pra reverter isso. Não pude me despedir, não pude dizer a ele o quanto o amava e quanto amaria pra sempre. Não pude. Acredito que esse é o ensinamento mais doloroso que a vida pode nos dar. A impossibilidade de fazer qualquer coisa. Pq quando as pessoas morrem já não há mais o que dizer. A gente faz homenagens, vê fotos, escreve recadinhos, mas os mortos são mortos. Ele não tá mais aqui. Não pode sorrir pra mim, me abraçar, nem pode saber o quanto eu o amo. Pelo menos não assim, olhos nos olhos.

Faz algumas semanas que eu tô me sentindo super nostalgica, escaneando fotos, mandando recadinhos pra amigos antigos. Inclusive pra ele. Mandei vários recadinhos no orkut dele, e ele não me respondeu. Achei q ele tava viajando, se divertindo sei lá. Jamais imaginei que ele tava mal e prestes a partir.

Fico toda hora pensando que ele me disse no fim do ano que precisava muito falar comigo, mas que tinha que ser pessoalmente, era algo chato que tava acontecendo com ele. E é provável que ele queria me contar da doença. Mas ele não quis falar pelo msn, nem telefone. E eu não insisti.
Sabe quando vc pensa com vc mesmo que deve ser alguma bobeira e não algo tão grave? Sabe quando vc não tem sensibilidade pra insistir verdadeiramente? E foi assim, mas se eu soubesse que era isso, que era uma oportunidade pra ouvi-lo, dar uma palavra de consolo, dizer que o amava muito, eu, com certeza teria dito. Teria tido toda atenção, e não teria feito pouco caso. Pq na vida da gente é assim mesmo, quando sabemos que é a ultima oportunidade, nos entregamos e fazemos de tudo.

E sabe oq eu descobri com a morte do meu amigo-irmão? É que eu não tenho o direito de esperar amanhã pra dizer que amo, pra perdoar, abraçar, dizer o quanto alguém é importante e especial. Aprendi que eu não tenho o direito de julgar a importância do que alguém quer me dizer, aprendi que tenho que ouvir e tenho que insistir pra ouvir, ainda que seja algo tolo e banal. Pq ser amigo é isso. Amar é isso.

Amanhã a gente não sabe se chega. O agora existe, e tantas vezes na vida perdemos a chance de fazer algo agora.

Fico pensando em quantas e quantas vezes passei semanas sem falar com o Fernando, não pq estavamos brigados e sim pq a vida vai passando, os dias são tão corridos e o sentimento é tão sólido dentro da gente q não nos sentimos na obrigação de falar pra provar isso. E agora ele se foi e eu não tenho nem um minutinho pra falar com ele, ouvir sua voz, nem que fosse pra dizer: "cabeção liguei pra dizer que te amo" sei lá, qq coisa do tipo. Não dá mais.

Não esperem as pessoas morrerem, irem embora. Não espere o definitivo bater na sua porta, nós não sabemos o dia de amanhã. Viva e sinta como se fosse o último dia da sua vida.

E desde ontem que essa música tá martelando em minha cabeça:

“Você marcou na minha vida
Viveu, morreu
Na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate...

E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver prá não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...

E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

Não sei por que você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar...

E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

Eu gostava tanto de você! Eu gostava tanto de você! Eu gostava tanto de você! Eu gostava tanto de você!

O mais triste nessa música é que o verbo precisa ser conjugado no passado, a pessoa já morreu, já se foi. "Eu GOSTAVA tanto de vc".

E eu quero de agora por diante, mudar esse verbo e dizer todos os dias : Eu GOSTO tanto de vc. Quero falar isso pra todo mundo o tempo todo, dizer o que sinto na hora que sinto, prestar mais atenção a minha volta, ser mais sensível...é só o que eu quero. Espero ter aprendido.

Sobre o Fernando? Só enquanto eu respirar vou me lembrar dele. Só enquanto eu respirar.

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amor,

Ele É SÓ UM CARA!!!

MANUAL PRÁTICO PARA MOMENTOS DE FRANCA DESGRAÇA

Ele é só um cara. Não o ‘denso lago de mistérios gozosos onde você mergulhou e ainda não submergiu’. Nem o ‘sustentáculo de todos os ossos de seu corpo’, tampouco ‘o mármore onde está gravada a suprema razão de sua existência’. É só um cara.

E quer mesmo saber? É um cara como todos os outros caras.

Esse que te perguntou as horas no meio da rua – podia ter sido ele e você nem ligou. O mendigo, o ginecologista, o padre, o padeiro. Ele estava ali o tempo todo. E ele não estava. Ele é só um deles. Vários. Uma legião. E ninguém.

É só um cara. E não a sua vida. E não todos os dias da sua história. E não todas as suas lágrimas juntas em um único sábado solitário. Ele não é o destino. É um cara. Existem muitos destinos.

Ele é só um cara que mal sabe escolher os próprios perfumes. Não sabe sangrar. Não sabe que nome daria a um filho. Não pode ficar mais tempo. Ele é só um cara perdido como muitos outros caras que você encontrou. E perdeu.


Ele é só um cara. E você já esqueceu outros caras antes.

dor

difícil...cada dia mais...

Não há forças, não é dor nem amor. Apenas cansaço. Clarice, vc que é a única que compreende o que se passa aqui dentro, por favor fale por mim...


"Por outro lado, estou hoje um pouco cansada e é sobre o prazer do cansaço dolorido que vou falar. Todo prazer intenso toca no limiar da dor. Isso é bom. O sono, quando vem, é como um leve desmaio, um desmaio de amor. 


Morrer deve ser assim: por algum motivo estar-se tão cansado que só o sono da morte compensa. Morrer às vezes parece um egoísmo. Mas quem morre às vezes precisa muito. 


Será que morrer é o último prazer terreno?



(Clarice Lispector in "A Descoberta do Mundo" Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1999)




...pq eu não sou super...

dor,

Dói.



Vc vive me machucando. Mas sinceramente acho que nem percebe. E eu nunca sei o que fazer...se deveria te mostrar que me machucou, pra ver se isso para de acontecer, ou se fico calada...fingir que não aconteceu não torna mais fácil esquecer?
Tbm não sei o que me machuca mais: o fato de vc me machucar ou o fato de vc não notar que está machucando...
Eu faço o que então? :(
As coisas vão se acumulando...vai machucando devagar, e cada vez fica mais dolorido e difícil de suportar...pq as feridas não fecham direito...e vc nunca me oferece colo, curativo ou cafuné...vc nem pergunta se to bem...mesmo pq nem nota que fiquei mal...
Eu sempre caio com vc (ou por vc?).
Nunca te conto isso pq me sinto idiota, não deveria cair, não deveria me machucar...deveria ficar de pé sempre, aguentar tudo, acordar no dia seguinte sorrindo, olhar o mundo e ficar feliz. Não deveria deixar q coisas tão pequenas e tolas me machucassem, mas machucam.
Pq eu sou fraca.
E dói viu?
Dói de ter aperto no coração, de ficar angustiada, de dar nó na garganta, de chorar até soluçar. 
Não gosto disso, não gosto de sentir isso, me sinto boba e infantil.
Queria ter uma mão que me ajudasse a levantar.
Mas não tenho.
Por isso fico aqui, no chão...esperando...mas eu levanto..prometo que levanto. Hoje, amanhã ou depois, não sei...mas levanto. E sozinha, isso eu prometo.

dor,

Rascunho de mim mesma.

Com dor reflito sobre o local baixo que me coloquei, que luto para sair, sem completo sucesso. Pergunto-me como fazer para deixar de ser uma mulher suplicante, meio mendiga, meio coitada, para tornar-me mulher que se corteja. 
Sei que o assunto já está batido. Passei o último ano todo dizendo que precisava sair desse lugar, que precisava me amar e mudar minhas atitude. Mas ainda não resolvi esse problema. 
Minhas resoluções vão por água abaixo no primeiro contato, no primeiro: "preciso de você". Eu me desarmo e me entrego. E depois ele vai embora. Com ela.
E eu fico aqui, tola, ridícula, aguardando a próxima chamada.
Me contentando com encontros pela madrugada, com cobranças desproporcionais, com requisições abusivas. Migalhas dormidas do seu pão.
Mais uma vez: "raspas e restos me interessam".
Não deveria.
Eu sei quem eu sou. Eu sei o valor que eu tenho.
Já fui amada, já vivi relações inteiras e recíprocas. Onde foi que perdi meu amor próprio?
Em qual momento passei a ser esse rascunho de mim mesma?


dor

Minha culpa. Eu assumo.

A culpa é minha. .Fui eu que parei de acreditar nas coisas reais, no amor real, no tangível, no que eu vivi. Eu parei de acreditar em tudo isso pra gostar (mais ainda) do platônico, do impossível, do que não tem jeito mesmo, do que não presta pra mim. Mas eu insisto.

Não. A culpa não é sua de não gostar de mim. De não se interessar por mim. De me achar boba e óbvia. A culpa é minha de ligar pro que você pensa.


Mas escuta só uma coisa- você não sabe a chance que você tá perdendo. Eu sou uma pessoa legal, sabia. Eu gosto de coisas legais, eu leio livros de gente legal, eu ouço músicas legais, eu tenho amigos legais, eu vou a lugares legais, eu compro roupas legais. Em suma, eu sou legal pra caralho. Eu acho até que eu sou a mulher mais legal que você já conheceu.


E você aí, olhando pro lado, fingindo que não me vê.


Eu não sou brilhante. Eu não consigo resolver problemas difíceis de Física, nunca entendi equações matemáticas, nunca fui além de algumas ligações do carbono na Química e nem sei bem se ainda sei fazer contas sem calculadora. Faz tanto tempo.


Mas eu podia mesmo consertar tua vida dessa vez. Podia fazer você perceber que o mundo não é tão ruim assim .Eu podia mesmo te contar que você é lindo do jeito que é, que não importa o que as pessoas pensam, que eu gosto do seu cabelo bagunçado, que você não precisa se afastar do mundo pra ser feliz. Eu podia tanto.


Mas você não deixa nada. Nunca.


Acho que enchi o saco.




*e pode ser que seja pra sempre.

dor,

Carente Profissional

(...)Levando em frente Um coração dependente 
Viciado em amar errado(...)


Gosto muito de Cazuza.Por isso estou usando um trechinho de uma música dele pra iniciar esse post, por isso e tbm porque eu sou definitivamente uma carente profissional, e essa pequena frase diz muito sobre minha vida. 
Nada de complexo ou filosófico. 
É simples...sigo em frente, apesar de tudo, levando comigo meu coração dependente, fraco, passional, doente, viciado em amar errado. Eu vivo de planos. 

Confesso que não cumpri 1/3 da minha listinha de coisas pra fazer em 2006. Se eu levasse adiante todos os planos (infalíveis) que faço com ctz eu seria uma mulher plena, realizada, satisfeita e feliz. Mas não. Eu mudo de caminho o tempo todo. Esqueço dos meus super planos e promessas com uma facilidade incrível rs. Estou terminando esse ano sozinha novamente, quase, quase me senti frustrada por conta disso, mas acabei relaxando...Afinal, estar com alguém não é a coisa mais importante do mundo é? (claro que não...vc sabe que não rs). Parem de pensar que isso é auto-ajuda ou mais um depoimento "nossa, eu cresci". De maneira alguma. Estou pensando como nunca aprendo com meus erros. Preciso passar pela mesma coisa uma série de vezes para me dar conta (e ainda as vezes nem assim me dou conta). As coisas custam a andar por aqui.

Eu contei que meu "romance" com O Fotógrafo acabou? Pois é. Finalmente acabou mesmo. E não estou abalada, por mais incrível que isso possa parecer vindo da Drama Queen aqui. Talvez esteja me sentindo solitária de novo, sem ter alguém pra telefonar, mandar emails e chamar de gangangan rsrsrs. Mas, a gente nunca estabeleceu uma relação de verdade. Não tive tempo de me apegar a ele, ele não me deu esse espaço.Que bom. Pq ser amante não é pra mim. 
Não adianta fazer beicinho e lamentar. Isso não funciona. Pelo menos não pra mim. Enfim, poderia ter sido muito pior. Eu poderia ter me apaixonado por ele e levado um fora e agora estar debulhada em lágrimas achando que meu mundo tinha acabado de vez. Mas foi tranquilo, sem grandes estragos. Pq eu não estava apaixonada. 

Mas como eu ADORO sofrer (o que me lembra mais uma vez que NUNCA aprendo com meus erros) eu decidi me reapaixonar por uma pessoa que não quer saber de mim! E cá estou eu novamente vivendo um momento de óh-meu deus-me-ajude! Comigo as coisas são sempre assim... qdo encontro alguém e acho que é a pessoa perfeita, essa pessoa já tem a pessoa perfeita dela e eu fico sofrendo calada...(um minuto de silêncio por favor)...Voltando do vale de lágrimas e entrando no salmo das lamentações...Esse novo (velho) amor-pra-vida-toda que só existe na minha cabeça não é o meu único problema atual...estou desempregada ha três semanas...e isso está me enlouquecendo...preciso de um emprego. Prometo dar o melhor de mim rs. Preciso também pintar meu cabelo. Há duas semanas (notem o drama) passei uma tinta e meu cabelo foi pro chão. Resultado: alergia da tinta e cabelo manchado. Que merda. 

Quando estou em casa, só penso em fazer bobagem (bobagem nesta minha etapa de vida se resume a comer, fuçar onde não deveria, ouvir musica e dormir). Minha vida está uma bagunça mesmo. E ainda por cima insisto em olhar o dia todo pras fotos de certa pessoa, pensar em como seria lindo tê-lo comigo pra dividir essas pequenas coisas do meu dia a dia turbulento, insisto em sonhar, esperar e planejar. Claro que todos nós sabemos qual será o fim disso. Não, não será um final feliz. Certamente.

Nossa...que dramático hein, vou dar uma saída para chorar haha. 
Auto piedade é um sentimento lindo. rsrsrs.

dor,

Insônia...

Não consigo dormir. Tô sentindo uma coisa que não achei que sentiria (tão rápido). Acredito piamente que vc me deu alguma poção de fada rsrsrs pra me enfeitiçar.E conseguiu né...hehe pq vc não sai aqui da minha cuca... Meu Deus, que coisa estranha. 

Há poucas semanas eu chorava de amores por outro, e agora nem lembro que este existe. Só aparece um nome na minha cabeça.

To me sentindo MUITO diferente. Por centenas de vezes já achei que tinha me curado do que eu sentia por você. Digo assim porque, pra mim, quando um sentimento não é recíproco, ele é como uma doença.Então, achei que estava curada. Achei MESMO. Minhas amigas são testemunhas disso rs. Mas os últimos acontecimentos me fizeram rever o que eu sinto e penso.Uma dor...profunda...aqui dentro de mim..um sentimento me rasgando por dentro. 

Tive uma vontade insuportável de te ligar...assim de repente "a louca" e falar oi, tudo bom? descobri que não morreu, ta aqui guardado, te amo, fica comigo pra sempre? (...) Oque eu tenho na cabeça hein? rsrs Acho que nada...ou qse nada...to viajando sozinha de novo. 
Gosto de vc o bastante pra pensar em vc todos os dias antes de dormir. 
Isso não te assusta? Assusta a mim. MUITO.

...

dor,

Só hoje...

...te vejo errando e isso não é pecado,
exceto qdo faz outra pessoa sangrar...


Hoje eu acordei rindo à toa. Engano seu se vc pensa que estou completamente feliz...a felicidade vem e vai. Simples assim. Se eu rio é pq acredito que seja o melhor a fazer apesar de tudo. De repente ficou tudo tão esquisito.
Ela disse que me perdoa, que tem um bom coração, me entende...Mas quem pediu para ser absolvido? Só pode ser piada. Não pretendo posar de vítima, alias, estou mto longe de ser vítima de qq coisa, mas a culpa não cabe apenas a mim, isso é fato.

Ele sumiu, de repente. E isso realmente não me importa.

Sinto falta dele (não o ele de cima rs).Acho que não faço tanta falta qto gostaria...Por mais que eu tente evitar, por mais que eu tente enganar a mim mesma, eu sei que no fundo ele continua aqui vivo, e eu continuo querendo,sonhando,esperando,sofrendo... estou sozinha.

Eu não quero entender ou ser compreendida. 
Não quero ser triste nem feliz. 
Nem condenada nem inocente.
Hoje eu só queria ter vc aqui comigo. 
Deitado no meu colo sem dizer nada.
Apenas isso.

dor,

perdida.

ás vezes eu só desejo que um desses garotos, especiais ao seu modo, me veja, mas através do rosto comum, veja oque há lá dentro, minha fé infinita em meus sonhos, minha crença de que no fim tudo vai dar certo. eu me considerava apenas uma menina, machucada, sem poder tentar voar. hoje eu tento de todas as formas. nos livros, nos sonhos azuis, nos simples devaneios...mas eu quero alguém com asas, pra me levar longe daqui...


Me sinto perdida, confusa, feliz e em alguns momentos triste. Bipolar? Imagiina quase nada rs e quem é o culpado? meu coração idiota? minha imaginação sem limites? hum? hum?
Me perco no que falo...vomito as palavras e me arrependo no segundo seguinte. 
Sempre me arrependo de abrir meu coração, de expor minhas fraquezas. Pq são apenas fraquezas, são meus medos, minhas confusões...as pessoas não precisam saber que estou sempre tão perdida...mas eu insisto em dizer sempre! Eu insisto em ser transparente. E é difícil.
Tudo isso me dói.
Pq sou orgulhosa, mimada, egoísta e pretensiosa. Pq quero todas as atenções pra mim. Pq quero que todos retribuam o que faço. Pq quero que meu mundo seja cor de rosa e perfeito (e definitivamente não é). Meus nervos estão em frangalhos. As vezes acho que vou explodir. Meu humor muda constantemente. 
Vivo viajando, imaginando. 
Sonhos. Sonhos e mais Sonhos. AFF.

Quando tudo isso vai virar realidade? Quando eu vou QUERER DE FATO tornar tudo realidade?
Mas não sintam pena de mim.
Não pensem q passo noites em claro, chorando, sofrendo.
NÃO.
Eu durmo muito bem, obrigada, muitas vezes até me esqueço que estou no meu inferno astral. As vezes até choro, mas são poucas essas vezes e normalmente não duram mais do que alguns minutos.
Contraditória eu??? hahahaah impressão sua....
(sou ampla contenho multidões)
Tô precisando de uma faxina na alma. Mudar. Quero minha paz de volta. Preciso jogar fora tudo o que não me serve mais, lembranças, sentimentos, amores inventados, paixões eternas (que se acabam tão rápido quanto começam), vontades que não podem ser satisfeitas...Preciso me livrar de tudo isso.

Eu vivo mentindo pra mim mesma.
Eu minto que não vou mais vê-lo (quantas vezes já disse isso?), minto que não vou mais pensar nele...minto que não quero mais. E ai de repente ele aparece e eu vou.
E o passado?
Passado é passado . Correto?
ERRADO.
Passado são lembranças, flashs, almas penadas q ressurgem exatamente quando não deveriam pra me atormentar. 

AHHHHHHHHHHHHHHHH!! Quero gritar.

Resolvi (pela milésima vez no ano) parar de me machucar.
Chega de ser vítima das minhas inconsequências. Não posso mais cometer loucuras pelo prazer do momento. Chega de me causar danos!!!
Preciso me reapaixonar por mim.

Meu coração ficará durante um tempo ocupado apenas por mim mesma. Afinal existe pessoa mais maravilhosa no mundo? ;)
Quero me olhar no espelho e pensar "Pqp eu sou foda. Eu me amo."

Quero conhecer pessoas, e não dormir pensando nelas. Quero poder deitar na cama e pensar no livro que estou lendo, quero dar gargalhadas eternas, quero acreditar que minha melhor companhia sou eu mesma e ninguém mais.
É isso ai. 
É o fim das minhas meias paixões, dos meus encantamentos, dos eternos amores. Acabou-se. Tiraremos uns dias de férias (eu e meu coração insano). 
Estou em crise existencial e pode ser que amanhã todas essas minhas super resoluções caiam por água abaixo. Quem me conhece sabe que isso é bem provável.
Vc quer me entender?
Não tente.
Não sou do tipo de pessoa que se entende.
Ou desiste de me entender ou desiste de mim, não há outro caminho. 
Ou se houver ninguém nunca tentou.