As pessoas e seu desejo de ser especiais. Há algum tempo tenho pensado em falar sobre isso, mas – adivinhe? – tive medo de soar amarga. Não consigo mais agredir, passei toda uma vida agredindo. Pois bem, mudei, precisei cair muito, levar muito na cara pra aprender que simplesmente não vale a pena. E então me tornei mais doce. Mais doce a cada golpe. Talvez o fato de ser brasileira, ou paulista, ou míope ou enfim, o fato de ser eu mesma, com minha personalidade explosiva, ácida e impaciente atrapalhe um pouco os meus propósitos de doçura, mas isso não vem ao caso.
Eu gostaria de falar sobre as pessoas que sentem essa necessidade de ser muito complexas, muito diferentes, muito esquisitas, muito bêbadas, muito loucas ou muito reativas a troco de nada. É um desperdício. Eu gostaria de dizer a essas pessoas que é suficiente ser doce, apenas doce.
Não estou dizendo que é preciso ser mongo. Não mesmo. Todos sabemos como este planeta tem tratado os fracos. Não se trata de um discurso politicamente correto ou moralista. Não é isso. Gostaria de deixar bastante claro que não é preciso ser uma mula teleguiada e servil para ser doce. Você pode ser o que quiser, desde que o essencial se mantenha. Ser doce é ser livre.
Ser doce diante do franco atirador, dos panfletários e suas causas perdidas, dos discursos desprovidos de qualquer ameaça de argumentação minimamente coerente, do algoz e da ovelha, e até mesmo diante daqueles que simplesmente não conseguem ser infelizes sozinhos e insistem em te arrastar para o lodo onde sempre se enfiam. Não há competência sequer para isso, percebe? Essas pessoas acabam do lado de fora, sozinhas, feito a mosca solitária olhando o doce através do vidro.
Olhando o doce. Há um lado doce e ele é vasto. É necessário aprender a ofender docemente, esquecer docemente e desprender-se docemente, como quando espantamos uma borboleta.
Borboletas são frágeis, é preciso cuidado com borboletas.
Humanos são complicados, é preciso não espancá-los só por causa deste pequeno detalhe.
Apenas isso: é preciso ser doce.
Porque ser amargo não deu resultado, porque há que se quebrar os velhos ciclos, porque ser doce é ser diferente de verdade.
{texto da Pri, com algumas mudanças minhas}


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