dor,

Feliz dia das mães.

"Mãe é parceira das horas certas e também incertas. É ombro nos arrependimentos e bronca construtiva nas escolhas mal feitas. Mãe é censura e também ternura, cheiro de afeto e lembrete de “engole o choro”, intuição abundante e oração incessante.

Ao nos lembrar de nossas mães, nos lembramos de quem fomos. Pois a construção e lapidação de nossa existência se confunde com antigos sons chamando no portão, cheiro de perfume conhecido borrifado nos pulsos, lembrança de arrumar a cama e tirar os pés do sofá, assobio afinado, vestido lavado e delicadeza em forma de cuidado.

Não há saudade maior que saudade de mãe. Pois mãe muda de casa, mas não sai de dentro da gente. Mãe muda de estado, mas não se desliga. Mãe percebe que o filho cresceu, mas não desiste. Mãe carimba passaporte, mas não sai de perto da gente." 
(Fabíola Simões - A soma de todos os afetos)


Meu primeiro dia das mães sem minha mãe aqui. 
Eu já conhecia as saudades da distância geográfica, mas nada se compara a não tê-la mais aqui. Nunca mais ouvirei sua voz, nunca mais receberei uma ligação ou mensagem de whatsapp, nunca mais. 
Ficam as lembranças das coisas simples, o aperto no peito quando vejo algo que ela gostava, a sensação de estar sozinha no mundo sem ninguém pra me direcionar. 
Quem vai cuidar de mim agora? 
Meu consolo vem de Deus, que é soberano e cuida dos seus. Meu consolo vem da certeza de que ela está com o Senhor. Minha paz vem do sentimento de "missão cumprida". Eu amei minha mãe e fui amada com toda intensidade e verdade possível. Sempre muito próximas, dividindo tudo. Minha mãe se foi e nossa conta estava zerada, sem mágoas, sem nada mal resolvido, sem mentiras e principalmente sem QQ dúvida do amor que sentíamos.

Se eu puder te dar um conselho, filho (a) que tem sua mãe aqui, nesse dia das mães, em vez de um presente material, sente-se com sua mãe, e feche a conta. Coloque na mesa as mágoas, segredos, e se resolvam. E principalmente não deixe de dizer e mostrar com atitudes que a ama. ❤️

Minha mãe, hoje eu gostaria de lhe oferecer uma música da minha infância. Está tudo tão distante, mas o refrão ainda ecoa em meus ouvidos. Tudo que eu mais queria era poder cantar de novo: “Mamãe, mamãe, mamãe, eu me lembro o chinelo na mão, o avental todo sujo de ovo, se eu pudesse eu queria outra vez, mamãe, começar tudo, tudo de novo…”







"... Segura teu filho no colo sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui, que a vida é trem bala parceiro e a gente é só passageiro prestes a partir..." 💔

cancêr,

Não estou bem.



Quando perguntam como estamos respondemos automaticamente: "bem".
Mas não estamos.
Estamos magoados, feridos, despedaçados. 
E isso meus amigos não é estar bem.
É a doença, o medo. As informações. 
Tudo.
A nossa dor, mágoa, alegria, desconforto, as emoções se confundem, as reações, é uma avalanche de sentimentos. 
E o que se pode fazer? Além de esperar. Além de sentir. 
Confesso que às vezes sinto medo de procurar saber. Medo de me informar. E tenho vontade de fechar os olhos e fingir por alguns minutos que nada disso está acontecendo. 
Medo do que vem pela frente. 

Talvez se eu ficar quieta e fingir que não existe essa doença ela vá embora. 
Mas ela não vai. 
Os dias passam, a vida não para de acontecer, e você precisa viver, sorrir, e o sol continua nascendo e se pondo, e no meio de tudo isso alguns minutos por dia inevitavelmente você sente uma tristeza tão profunda e tão cortante que é quase palpável. 
Esse é nosso dia a dia. 
E com certeza isso não é estar bem. 
Vamos indo. 
Um dia por vez. 
Não vamos desistir de lutar. Não vamos deixar de correr atrás. Enquanto houver vida teremos esperanças. 
Mas não acredito que um dia seremos os mesmos de antes.

amargura,

Tentando entender.

Qdo foi que vc decidiu que não ia me amar?

Eu fico pensando nisso às vezes, fico querendo entender qdo foi que vc optou por isso, qdo foi que eu fiz qualquer coisa que despertou essa necessidade (desejo? decisão?) de não gostar de mim dentro de vc.

Quando eu cheguei as coisas começaram a dar errado? Eu não sei dizer, ninguém nunca me contou de verdade o que aconteceu, como foi, o que tinha no seu rosto quando vc me viu pela primeira vez?... Eu não consigo me lembrar. Eu sei que foi especial. E eu sei também que existiam vários empecilhos. Existiam mesmo? Talvez não. Você gostou do meu rosto? Gostou de ver que tínhamos coisas em comum ?

E eu fico aqui tentando achar qualquer coisa que eu tenha feito que tenha te machucado, qualquer palavra que eu tenha dito, qualquer gesto brusco, qualquer tapa mais forte, fico tentando achar um pedaço (mínimo que seja) de culpa minha, para ver se eu conserto o meu erro e se você volta a gostar de mim.

Volta?

O maior sufocamento é não ter certeza se isso já existiu.
Mas essa minha vontade só vem vezenquando, só vem quando eu olho pros seus olhos e encontro essa tristeza em formato de pedra que você não deixa ninguém quebrar. A minha vontade de achar uma culpa minha só surge quando eu olho pra você e enxergo tudo o que eu não deveria enxergar, quando eu percebo que está tudo ao contrário, que não deveria ser assim.

Eu tento ignorar essas verdades, durante a maior parte dos dias.
Só que, à noite, fica tudo mais difícil, fica tudo mais vazio, o silêncio empurra as dores pra superfície e eu volto a me perguntar: quando foi que você decidiu que não ia me amar?

Responde, vai. Deixa eu saber o exato momento em que minha vida começou a parecer essa nuvem carregada de uma chuva que nunca vai cair, me dá ao menos esse direito.

Não vai te custar nada.



[esse texto não é meu, achei na net mas me cabe como uma luva.]