dor,

Rascunho de mim mesma.

Com dor reflito sobre o local baixo que me coloquei, que luto para sair, sem completo sucesso. Pergunto-me como fazer para deixar de ser uma mulher suplicante, meio mendiga, meio coitada, para tornar-me mulher que se corteja. 
Sei que o assunto já está batido. Passei o último ano todo dizendo que precisava sair desse lugar, que precisava me amar e mudar minhas atitude. Mas ainda não resolvi esse problema. 
Minhas resoluções vão por água abaixo no primeiro contato, no primeiro: "preciso de você". Eu me desarmo e me entrego. E depois ele vai embora. Com ela.
E eu fico aqui, tola, ridícula, aguardando a próxima chamada.
Me contentando com encontros pela madrugada, com cobranças desproporcionais, com requisições abusivas. Migalhas dormidas do seu pão.
Mais uma vez: "raspas e restos me interessam".
Não deveria.
Eu sei quem eu sou. Eu sei o valor que eu tenho.
Já fui amada, já vivi relações inteiras e recíprocas. Onde foi que perdi meu amor próprio?
Em qual momento passei a ser esse rascunho de mim mesma?


sofrimento,

Pessoas fingirem de maneira saudável...isso existe?



Tudo que eu sinto me faz sofrer. Sempre. Eu sinto com uma intensidade tão grande, é tão profundo, que me dói. Dói todas as vezes que penso nele. Dói todas as vezes que sonho sozinha. Dói a possibilidade de ser ignorada por ele. Dói ser apenas amiga. Dói saber que o possível futuro que eu imagino não acontecerá por falta de sentimento de uma parte. Dói quando ele me trata com carinho. Dói ouvir qualquer música de amor e notar que estou sozinha. Isso tudo me dói muito.
Mas pq então eu não estou lutando pelo que eu acho que quero? Pq continuo fingindo? Fazendo de conta?...as vezes viver num conto de fadas, é mais fácil...

Quando eu era criança eu sempre soube distinguir o que era mercúrio e o que era merthiolat.
Merthiolat ardia muito (nos meus tempos de criança pelo menos). Minha mãe vinha com aquele vidrinho transparente e me dizia para deixá-la cuidar de mim com mercúrio.
Eu não era besta não rs. Sabia que não era mercúrio, mercúrio não ardia. Por mais que eu fosse gritar e implorar por socorro quando o merthiolat tocasse meu machucado, eu sabia que a minha mãe estava ali na minha frente fingindo pro MEU bem...e eu fazia de conta que acreditava que era mercúrio e que não ardia.
Fui enganada...mesmo minha mãe pensando que estava fazendo algo pro meu próprio bem...não deixa de ser uma enganação...e isso se torna rotina na vida da gente não é?

Já fingi tantas vezes voltar à fechar os olhos quando alguém entra no quarto pra esconder lágrimas, ou apenas pq não queria falar com ninguém naquele momento...perdi as contas... já fingi perdoar, já fingi esquecer, já fingi que não estava doendo, quando na verdade o que mais queria era gritar...já fingi que não tinha problema...Agora mesmo estou fingindo, escondendo um sentimento que só queria gritar e sair de mim...e tudo pra que? apenas para que o outro lado não se sinta mal...e isso é saudável?...não sei...
Pessoas fingem o tempo todo.

sabe...qdo a gente é criança a gente espera ansioso pelo fingimento da mãe, quando a gente cai e ela nos pega no colo e diz que já sarou, acreditamos nisso...continua doendo mas nós encostamos em seu peito e ficamos felizes, aliviados, pq se ela disse que sarou é pq sarou...esse fingimento de que tudo sempre fica bem nos consola, embala...mas daí a gente cresce...e percebe que fingir não é legal...o sentimento de estar fingindo não faz bem. Dói o coração, a consciência. Não é certo mentir para os outros, ainda mais pra mim mesma. 
Eu mereço e preciso das minhas próprias verdades.

[até quando vou suportar?]