reflexões

Flores de plástico


Por que insistimos em regar apáticas flores de plástico, deixando-as boiar em água parada, espremidas dentro de vasos horrendos que mais entristecem do que alegram nossa vida com seu inanimado existir? Por que perdemos tempo observando-as dia após dia, se há lá fora um jardim repleto de vida, irrigado pelo orvalho da madrugada, que dança ao som do vento, sob o aconchego do sol?
Veja bem, meu bem, as flores de plástico não morrem porque também não vivem.


(Sandra Amélie)

Ana Jácomo,

Ana, fale por mim...


Tenho aprendido que grande parte daquilo em que juramos acreditar pode ser somente 
crença alheia que a gente não passou a limpo. 
Que pode haver algum conforto no acordo tácito da hipocrisia, mas ele não faz a vida cantar.
Que se não tivermos um olhar atento e generoso para os nossos sentimentos,
podemos passar uma jornada inteira sem entrar em contato com o que realmente nos importa. 
Que aquilo que, de fato, nos importa, pode não importar a mais ninguém 
e isso não tem importância alguma.

Que enquanto não nos conhecermos pelo menos um pouquinho, rabiscaremos cadernos e cadernos sem escrever coisa alguma que tenha significado para nós.



Tenho aprendido com o tempo que quando julgamos, falamos mais de nós do que do outro. 
Que a maledicência acontece quando o coração está com mau hálito. 
Que o respeito é virtude das almas elegantes. 
Que a empatia nasce do contato íntimo com as nuances da nossa própria humanidade. 
Que entre o que o outro diz e o que ouvimos existem pontes ou abismos, 
construídos ou cavados pela história que é dele e pela história que é nossa. 
Que o egoísmo fala quando o medo abafa a voz do amor. 
Que a carência se revela quando a autoestima está machucada. 
Que a culpa é um veneno corrosivo que geralmente as pessoas não gostam de ingerir sozinhas. 
Que a sala de aula é a experiência particular e intransferível de cada um.

Ana Jácomo



A vida machuca. Mas ensina. Simples assim.
A gente chora, se desespera, sofre, depois para, respira e agradece pois fica mais forte.