reflexões,

Treino pesado, coração leve.



Quando entrei na academia Overall a primeira vez, há menos de um ano, me senti totalmente deslocada, me vi em meio a mulheres lindas e homens enormes, e pensei: "o que estou fazendo aqui?". Mas depois de várias tentativas frustradas eu estava decidida a não desistir. Dessa vez eu iria até o fim. 

No começo me refugiava no aeróbio, onde me sentia segura. 
De vez em quando arriscava um treino de leve. 
Me despi de meus preconceitos e fui percebendo que as pessoas ali eram muito mais do que corpos bonitos,passei a admirar e a me inspirar em cada um.

No início do ano decidi levar mais a sério e tentar gostar de verdade da musculação, mas havia uma pedra no meio do caminho. Uma pedra na vesícula. Pedra retirada, 3 meses de repouso e em abril voltei com tudo. 
Bom,quase com tudo. 
Passei por um turbilhão, a recidiva do câncer de minha mãe, sua piora diária, passei semanas sem pisar na academia,e então no final de maio, após a tempestade, voltei. 
E de lá pra cá só aumenta a certeza de que escolhi o melhor caminho. 
Hoje a academia não é apenas o lugar onde eu treino. Virou parte da minha vida, minha terapia. 

Eu percebi que só dependia de mim. Idade, hipotireoidismo,coluna lascada, doença e morte da minha mãe eram só algumas desculpas que eu poderia usar. Poderia me esconder atrás delas e fugir. Mas eu decidi fazer isso por mim. 
Porque Deus me deu um corpo com um emaranhado incrível de músculos e sistemas (circulatório, respiratório), potentes e incríveis, que obviamente não foram feitos pro sedentarismo. O treino intenso, a exaustão,as pernas bambas,o coração na boca. Aquela sensação de "vou morrer, não aguento mais" que seu corpo responde com: "Continue, você aguenta sim.Muito mais". 
Eu amo isso. Isso me faz um bem absurdo, que vai muito além do físico. 

Há uma certa alegria em encostar o meu queixo no nariz e respirar fundo. 
Gosto de sentir as dores no corpo que o treino pesado me trouxe. Gosto de sentir que há vida. 
Gosto de me sentir viva. 
Tenho passado meus dias assim, bem viva. 
Com aquela sensação de que tenho seguido em frente. 
Cada dorzinha que sinto na musculatura me lembra exatamente disso. Que estou viva. Que a vida segue. Que estou me amando, me cuidando, vencendo meus limites.
Que eu não desisti.
Que amanhã é um novo dia, e eu vou novamente dar conta do dia.
Dar conta do sorriso.Da coluna alongada. Do treino intenso. Da calma na alma e do olhar tranquilo. Em paz. 



Não quero faca, nem queijo. Quero a fome. (A.Prado)