reflexões,

Natal, saudades e solidão.

Todo fim de ano me vejo tomada por um misto de alegria e melancolia. Alegria pq pra mim é impossível não me alegrar com as luzes, músicas e todo clima de natal. E melancolia pq sempre penso em quem não está mais aqui, e Tb pq faz quase 9 anos que estou longe de casa, e Natal é um momento que pede a presença da família e amigos.
Eu gosto de morar onde moro. Gostei de todos lugares onde morei. Gosto de mudar de cidade, de estar em um lugar novo, conhecer novas culturas. Me sinto privilegiada por poder viver isso. Mas ao mesmo tempo tenho sentido falta de "me enraizar".
Toda mudança é sempre a mesma coisa.
Depois que a empolgação da novidade passa, nos vemos em um processo de adaptação que parece não ter fim. Os dias passam, e a vida se resume a fazer planos pra conhecer lugares novos, parques e restaurantes. E nada disso aplaca a solidão. Nada disso supre a necessidade de um círculo de amizade.
Nada disso supre a necessidade de fincar raízes.
Mas eu me pergunto se isso será possível.
É tão difícil fazer novos amigos, gerar vínculos. Eu nasci, cresci e vivi toda a vida na mesma cidade, mesmo bairro e praticamente mesma rua. Meus amigos são amigos de infância. São pessoas com quem cresci. Fazer novos amigos é difícil pra mim. Ainda mais hoje em dia, quando me vejo cada vez mais criteriosa.

Eu cresci com casa cheia, minha avó teve 15 filhos, tenho muitos primos, minha casa vivia lotada, uma casa cheia de espanhóis falando alto, brigando e rindo ao mesmo tempo. Essa é a minha lembrança da infância, é assim que me sinto em casa. Como cresci no mesmo bairro sempre tive muitos amigos, então além da parentela sempre tinham amigos lá em casa. Sempre foi assim. Hoje em dia quando vou a minha cidade preciso me desdobrar em 20 pra conseguir ver todo mundo (e nunca consigo), os dias ficam tão corridos que não dou conta do celular e redes sociais.
Fico estafada, com saudades do silêncio da minha casa, da minha cidade estranha com gente esquisita que não sabe dar bom dia. Pois é, contraditório não é? Quando estou longe sinto saudades, quando estou lá fico cansada.

Quando eu era criança e adolescente de vez em quando eu entrava embaixo da cama, e ficava horas ouvindo música, lendo, escrevendo no estrado da cama ou apenas ali quieta, de olhos fechados, pensando na vida. Amava esses momentos. Eu ficava feliz da vida quando todos saiam de casa, e eu me via sozinha com meu cachorro. Eram meus momentos. Prezo por eles. Ainda hoje curto esses momentos de solidão. Pq eu amo minha própria companhia, eu e meus livros, eu e minhas músicas, eu e meus programas de TV ridículos. Eu e eu.

[Estou novamente dando voltas e não chegando a lugar algum no texto.
Na verdade só queria lançar aqui o que passa pela minha cabeça, e são tantas coisas que pode parecer confuso e meio sem pé nem cabeça. Tudo bem. Escrevo pra desabafar e não pra ser compreendida. ;)]

Essa sou eu. Uma contradição, sim eu sei.

Amo o silêncio e amo a barulheira da casa cheia.
Amo curtir minha própria companhia e amo ter família e amigos por perto.
Amo a solidão e amo estar acompanhada.
Amo o Natal e odeio alguns sentimentos que ele me trás.

Acho que na verdade o que mais odeio é não ter opção.
Não poder optar entre fazer um programa sozinha ou acompanhada, entre a casa cheia ou vazia.
Essa falta de opção é que tem me incomodado...preciso começar a mudar isso.

dor,

Sobre surpresas e dor.


Existem dois tipos de pessoas: as que amam surpresas e as que detestam.
Eu sou do segundo tipo. Detesto surpresas. Gosto de estar em terreno conhecido, de saber onde estou pisando.
Aquela coisa de vendar os olhos pra surpreender com um presente jamais funcionaria pra mim. Primeiro pq sou claustrofóbica ao extremo e segundo pq detesto surpresas.
Sabe aquele ditado: "o que os olhos não veem o coração não sente"? Nunca entendi. Prefiro ver, sentir, chorar, sofrer. Não saber talvez seja um dos piores sentimentos do mundo. Não saber pra onde vc vai, não saber o que virá ao seu encontro. Tá, mas eu comecei falando de olhos vendados e surpresas e agora estou divagando sobre coisas mais profundas...sim, pq está tudo ligado.

Quem gosta de estar no controle, gosta e pronto. Sou esse tipo de pessoa. Gosto de saber se me darão uma festa de aniversário pra me vestir adequadamente, pra preparar minhas emoções. Gosto de ter um ciclo menstrual regulado pra saber exatamente quando a  cólica chega e quando vai embora. Gosto de rotina, horários marcados e listas. Gosto de saber a verdade.Ainda que doa, Ainda que me dilacere.

Mas nem sempre as coisas acontecem como gostaríamos.
Nem sempre a vida te avisa que vai tirar seu chão. Ela simplesmente tira.
Nem toda dor avisa quando está chegando. Ela chega e pronto.

A dor pode chegar de mansinho na forma de uma enxaqueca insistente, a cólica de todo mês, uma depressão leve, as saudades de casa ou a solidão que machuca por uns dias. E vc (eu) normalmente está preparado pra esse tipo de dor. São as dores aleatórias de nossa vida, fazem parte. O ônus do bônus. Nós mulheres já nascemos preparadas pra enfrentar uma certa dose de dor diária. Somos todas candidatas a super heroínas, começando nossa carreira com a orelha furada logo nos primeiros meses de vida.
Enfim.
Dói. E tá tudo bem. Vc já espera por isso.

Então tem aquela surpresa da vida. Aquela reviravolta. Aquele tipo de dor que vc simplesmente não consegue ignorar, em um nível tão grande que bloqueia todo o resto. Tudo desaparece. E vc precisa lidar com isso. Não adianta fingir que ela não está ali
A verdade é que não tem pra onde correr. A vida vai te machucar. As vezes vc terá avisos, as vezes até outdoors brilhantes (que normalmente vc vai ignorar), mas as vezes ela te pega numa curva, distraída, e bam! Te joga no chão. E aí? Como reagir?

E eu que sempre gostei de controle, eu que gosto de saber onde piso e detesto olhos vendados, me pego as vezes maquiando a dor. Fugindo dela. Ignorando. E eis uma surpresa pra mim rsrsAs vezes penso que talvez se eu ficar quieta aqui fingindo que ela não existe, ela vá embora. Não que eu não a tenha encarado. Encarei. Olhei nos olhos da minha dor. Esmiucei cada detalhe, fui até o fundo e cheguei a conclusão de que não saber é sim um dos piores sentimentos do mundo, mas as vezes saber demais também é terrível.
As vezes é melhor ficar em um terreno incerto, pq no desconhecido pode ter medo mas tbm há esperança.


"A dor. Você só tem que sobreviver a ela, esperar que ela vá embora sozinha, esperar que a ferida que a causou, cure. Não há soluções, respostas fáceis. Você só respira fundo e espera que ela vá diminuindo. Na maior parte do tempo, a dor pode ser administrada, mas às vezes ela te pega quando você menos espera, te acerta abaixo da cintura e não te deixa levantar. Você tem que lutar através da dor, porque a verdade é que você não consegue escapar dela e a vida sempre te causa mais.”


Meredith Grey.


reflexões

Sobre Humanos.



Esses dias passeando pelas redes sociais, fui provocada a pensar no que há de mal em nós. Digo nós pois me incluo. Não porque somos todos IGUALMENTE maus, mas sim porque somos todos igualmente humanos e a crueldade é inerente do ser humano.Tanto quanto emocionalismo, carência e frustrações. 

No dia do meu aniversário recebi um monte de mensagem bonitinha de parabéns, com muitos elogios, palavras carinhosas, votos de felicidades. Normal. Todo ano a mesma coisa. Mas uma certa pessoa escreveu assim: "você é do bem". E isso me incomodou. Tive um pequeno sentimento de culpa, pois essa pessoa é alguém que me irrita e que acho chata e dispensável. Sou do bem e já pensei coisas ruins sobre essa pessoa. rsrs. 
Essa discrepância entre quem somos e como as pessoas nos veem não incomoda ninguém? só a "diferentona" aqui?

Eu olho pra mim mesma e me vejo como um paradoxo. Geneticamente bipolar. Penso bobagens por minuto, ai de mim se meus pensamentos virassem um filme!!! Acho as pessoas chatas e depois as amo. Detesto a existência e presença de certas pessoas, mas me dói ficar longe. Sofro por pensar o mal com mais frequência do que deveria (ou aceitaria). Me corrijo mentalmente com constância. Porque não quero o mal. Não quero que ninguém seja atropelado ou suma do mapa. Mas é inevitável pensar isso as vezes. Pelo menos por aqui, quando tiro as máscaras, consigo admitir que isso acontece.

Por isso fico tensa quando me dizem que sou boa. Vem logo o impulso de responder:"sou nada, sou péssima, egoísta e maldosa". 
Mas me parece que hoje em dia (ou sempre foi assim?) até admitir isso é perigoso. 
Está todo mundo tão mascarado, e ocupado em ser e parecer perfeito, bem resolvido, feliz e altruísta que ninguém pode admitir sua própria maldade, seu egoísmo e seus pensamentos cruéis. Todos precisam ser,e demonstrar,e anunciar que são ótimos amigos, ótimos cônjuges, ótimos profissionais. 

Eu queria ser um monte de coisa. Queria ser calma, tolerante, contida, amorosa. Queria nunca na vida pensar ou falar mal de ninguém. Queria ver sempre o lado bom de tudo e de todos. Mas acontece que na prática não é bem assim. Eu não digo que não tento. Claro que tento, me arrependo e me constranjo quando me percebo cruel em certas situações. Mas se eu deixar o barco fluir o que predomina é o egoísmo, e o egoísmo é a fonte de toda maldade, 

E eu suspeito que não sou a única. 


“Talvez quanto mais tentamos ficar alegres, mais confusos ficamos. Até não nos reconhecermos mais. Ao invés disso continuamos sorrindo, tentando ser a pessoa feliz que queríamos ser! Até que a ficha cai, sempre esteve lá… não em nossos sonhos e esperanças, mas no conhecido e confortável, o familiar.”

Meredith Grey - Grey's Anatomy

cancêr,

Não estou bem.



Quando perguntam como estamos respondemos automaticamente: "bem".
Mas não estamos.
Estamos magoados, feridos, despedaçados. 
E isso meus amigos não é estar bem.
É a doença, o medo. As informações. 
Tudo.
A nossa dor, mágoa, alegria, desconforto, as emoções se confundem, as reações, é uma avalanche de sentimentos. 
E o que se pode fazer? Além de esperar. Além de sentir. 
Confesso que às vezes sinto medo de procurar saber. Medo de me informar. E tenho vontade de fechar os olhos e fingir por alguns minutos que nada disso está acontecendo. 
Medo do que vem pela frente. 

Talvez se eu ficar quieta e fingir que não existe essa doença ela vá embora. 
Mas ela não vai. 
Os dias passam, a vida não para de acontecer, e você precisa viver, sorrir, e o sol continua nascendo e se pondo, e no meio de tudo isso alguns minutos por dia inevitavelmente você sente uma tristeza tão profunda e tão cortante que é quase palpável. 
Esse é nosso dia a dia. 
E com certeza isso não é estar bem. 
Vamos indo. 
Um dia por vez. 
Não vamos desistir de lutar. Não vamos deixar de correr atrás. Enquanto houver vida teremos esperanças. 
Mas não acredito que um dia seremos os mesmos de antes.

séries,

Lições que aprendi com minhas séries favoritas.



FRIENDS:

- O amor pode estar do seu lado.
- Dar um tempo não significa terminar.
- Amigos podem brigar mas sempre fazem as pazes.
- Rir de si mesmo é uma maravilha.
- Você não precisa deixar de ser bobo só pq virou adulto.
- Não importa o que os outros acham, se vc gosta de sua música cante o mais alto que puder.
- Até um macaco pode virar uma estrela de cinema.
- Completar 30 anos não é uma tragédia.
- Aprenda a dar valor apenas para as opiniões que importam. O resto é moo point.
- Se tudo acabar em café,então está tudo bem.


LOST:

- Vivemos juntos pra não morrermos sozinhos.
- Nem tudo é o que parece.
- Um avião pode cair duas vezes em um mesmo lugar.
- Um erro não define quem vc é.
- Nada é por acaso.
- Não existem mocinhos e bandidos. Todos são um pouco de cada.
- Você precisa fazer sua própria sorte.
- Você tem apenas três escolhas: correr, se esconder ou lutar até morrer.
- Onde existe fumaça nem sempre tem fogo.
- Todo mundo tem segredos.
- Não confie em ninguém, nem em você mesmo.
- Só termina uma vez. Tudo que acontece antes é apenas progresso.



HOW I MET YOUR MOTHER:

- Boas histórias merecem ser vividas ao lado de quem amamos.
- Não tenha medo de dizer Eu te amo.
- Noites comuns podem se tornar em noites Legendárias.
- Melhores amigos podem ser almas gêmeas e vice versa.
- Nada de bom acontece após às duas da manhã.
- Amigos de verdade estarão sempre ali por você.
- Cuidado com pessoas que tenham crazy eyes.
- Corra riscos.
- The Naked Man funciona em 2 a cada 3 tentativas.
- Intervenções são necessárias.
- O que tiver que ser, será.
- Não tenha medo de cometer erros.
- Você só vai encontrar quando parar de procurar.
- Aproveitar a jornada é mais importante do que a chegada.


HOUSE MD:

- Todo mundo mente.
- Se você está morrendo, todo mundo passa a te amar.
- O fato de você ser infeliz não o torna melhor que ninguém, o torna apenas infeliz.
- As pessoas não mudam!
- Se não sabe o diagnóstico diga que é uma doença auto imune.
- Todos nós temos algo do qual se arrepender.
- As coisas nunca são resultados de algo isolado.
- Nem tudo é o que parece ser.
- Seja quem vc é, e não quem os outros esperam que vc seja.
- Só é teimosia se estiver errado. Se estiver certo é seguir seus princípios.
- Acredite em sua intuição.
- A dor nos faz tomar decisões erradas. O medo dela também.


GILMORE GIRLS:

- Antes de mais nada, CAFÉ.
- É possível existir uma relação incrível entre mãe e filha.
- Bom humor é fundamental.
- A vida é curta, por isso fale rápido.
- Nunca desista de seus sonhos.
- Pessoas inspiram pessoas.
- O amor não precisa de palavras.
- Sempre existe lugar pro perdão.
- O segredo é a cumplicidade.
- Saiba a hora de pedir ajuda.
- Você pode não gostar de segundas-feiras, mas uma hora elas chegam.
- Mesmo com diferenças e desentendimentos simplesmente, aceite: ninguém vai amar mais você do que sua mãe.


GREYS ANATOMY:

- O carrossel nunca para de girar.
- Amigos são a família que escolhemos.
- Nunca saberemos se não tentarmos.
- Todo mundo precisa de alguém.
- Arrisque. 
- Viva um grande amor. Mas não torne um grande amor toda sua vida.
- Não tenha medo de ter medo.
- A verdade dói, mas é necessária.
- Nada é tão ruim que não possa piorar.
- O amor é uma questão de escolha.
- Não importa o quanto você tente, não importa se são boas suas intenções, você cometerá erros. Você irá machucar pessoas. E se machucar.
- Tragédias acontecem.
- A única maneira de nos livrar das sombras é apagarmos as luzes. Parar de correr na escuridão e encarar seus medos de frente.
- Não precisamos ser fortes o tempo todo.
- Ser feliz hoje é mais importante do que ser feliz para sempre.
- Você é o sol da sua vida. Ninguém mais.


amor,

O amor morre?

Pq o amor acaba?
Alias, o  verdadeiro amor acaba?
Uma amiga me perguntou isso esses dias e andei meditando a respeito. Em primeiro lugar eu não acredito que o AMOR acabe. Não o verdadeiro. Ele pode até mudar de forma, mas acabar não.  Encontrei um texto do Carpinejar e vou postar um trechinho:

"O amor nunca morre de morte natural. Añais Nin estava certa. Morre porque o matamos ou o deixamos morrer.
Morre envenenado pela angústia. Morre enforcado pelo abraço. Morre esfaqueado pelas costas. Morre eletrocutado pela sinceridade. Morre atropelado pela grosseria. Morre sufocado pela desavença. Mortes patéticas, cruéis, sem obituário e missa de sétimo dia. Mortes sem sangramento. Lavadas. Com os ossos e as lembranças deslocados.
O amor não morre de velhice, em paz com a cama e com a fortuna dos dedos. Morre com um beijo dado sem ênfase. Um dia morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Morre porque queremos que morra. Decidimos que ele está morto. Facilitamos seu estremecimento. O amor não poderia morrer, ele não tem fim. Nós que criamos a despedida por não suportar sua longevidade. Por invejar que ele seja maior do que a nossa vida. O fim do amor não será suicídio. O amor é sempre homicídio. A boca estará estranhamente carregada. (...)"

Exatamente o que eu acredito. O amor não morre. Nós o matamos, ou deixamos morrer. 
Permitimos que ele morra pq somos omissos, pq não corremos pra socorre-lo quando percebemos que ele está indo embora. Não avisamos no primeiro sinal de fraqueza, no primeiro acidente. Simplesmente deixamos desmoronar. Vamos deixando o copo encher até transbordar. Não somos cuidadosos. Somos orgulhosos e isso faz com que deixemos o amor morrer. O orgulho nunca salvou ninguém. Pelo contrário. O orgulho não salva, o orgulho coleciona mortos.
Matamos o amor pela nossa omissão, porque não suportamos o contraponto, as divergências. Não conseguimos dar o braço a torcer, não sabemos dialogar. A falta de diálogo talvez seja a forma mais eficaz de matar o amor. Quanta tolice!!! Deixar morrer o amor por não saber ser transparente e por na mesa seus desejos, fraquezas e limitações!! Não suportamos a ideia de que nos conheçam verdadeiramente. É realmente muito difícil deixar as máscaras de lado. Matamos porque é mais fácil do que ser sincero. Matamos pq sempre queremos os elogios e não suportamos a verdade. Não conseguimos admitir nossos erros, e não somos capazes de perdoar os erros do outro. 
É impossível o amor sobreviver em um terreno assim. É impossível construir, cultivar e manter o amor quando não estamos bem resolvidos com a gente mesmo. Quando temos traumas, medos e principalmente quando não estamos dispostos a vencer isso. 

Não, o amor não morre.
O amor é assassinado. 
O amor é negligenciado. 
E nós somos os responsáveis por isso. 

vida

36 anos.



Concebida no carnaval, nascida em um dia quente. Odeio barulho e prefiro dias frios. Sou do silêncio, da sinceridade, do olho no olho.
Posso ser um doce mas sempre terei uma dose de sarcasmo e ironia. Amo com toda minha alma, corpo e coração e deixo de amar na mesma intensidade. Sou reservada, só abro meu íntimo pra raras pessoas, ainda assim muita coisa só conto pro travesseiro. Intensidade e preguiça caminham juntos. Se der trabalho demais, sofrimento demais, deixo pra lá.

Não sou Do superficial, das relações sem sentido. Detesto os afagos fáceis e também não suporto a adulação. Não bajulo ninguém, não sou dada a carinhos e sorrisos, mas quando o faço é verdadeiro. Transparente, pessimista e sem paciência. Ao mesmo tempo sensível, conselheira e ombro amigo. Odeio e amo a rotina, prezo as alianças e sou fiel até o fim.

Pq eu nasci em novembro.
Não consigo ser menos que um exagero. Nasci meio cheia de tudo e com o tempo comecei a transbordar. Não gosto de nada pouco, não suporto nada morno. 8 ou 80. Não me peça pra ir com calma, minha pressa vem da alma.


vida

Não foi, pode ser.


Esses dias olhando um instagram me peguei pensando cá com meus botões. 
Vendo fotos que não são minhas, reconheci uma vida que poderia ter sido. Assistindo vídeos de outra pessoa, reconheci a mim mesma. Quem eu poderia ter sido. Se tivesse feito outras escolhas.
Amizades que não fiz, países onde não morei, uma carreira que não investi. 
Sinto uma pequena frustração pela vida que perdi. Por não ter sido independente, leve e forte como poderia. Sei da minha capacidade, sei onde eu poderia estar. Mas fiz outras escolhas.

O fato é que com 20 anos se sabe muito pouco, ou quase nada. Com 30 ainda derrapamos em indecisões. Hoje, beirando os 36, não encontro ânimo pra recomeçar. Sei que nunca é tarde, mas a paixão esfriou, não consigo ver como reacender isso. Ainda não.
E talvez eu nem ao menos queira.

Não estou infeliz com minha vida, minhas escolhas ou quem eu sou hoje. 
As alegrias da minha vida são certamente maiores que qualquer frustração.  
"Cada escolha, uma renúncia". Quem disse isso sabia exatamente do que estava falando. 
Se eu tivesse escolhido a outra vida, a vida que pertence a outra pessoa, eu estaria renunciando a esta vida. Aos tesouros que eu tenho. E não, não seria mais feliz. Tenho certeza disso. As frustrações seriam outras, e penso que seriam maiores e mais difíceis de lidar. 

Eu sou relativamente jovem, e não preciso enfiar tudo no baú do "coisas que não conquistei/fiz/aprendi/vivi". Cabe um AINDA nesse título. Muitas coisas ainda posso fazer. Muitas ainda posso vencer. E tantas ainda posso aprender. 

Eu ainda não sei nadar. Não sei andar a cavalo. Ainda não escrevi um livro. 
Sou claustrofóbica, agarofóbica. Tenho crises de ansiedade. Sou frágil; e tenho dificuldade de pedir ajuda. Ainda. 
São tantas pequenas-coisas pra aprender, pra resolver, pra viver. 
A vida é isso mesmo. Adaptação e aprendizado. E uma certa dose de resignação.

livros

Livro: O acerto de contas de uma mãe

Sinopse: Um livro forte e inquietante narrado pela mãe de um dos responsáveis pela a tragédia de Columbine. Em 20 de abril de 1999, Eric Harris e Dylan Klebold se armaram com pistolas e explosivos e entraram na Escola de Ensino Médio de Columbine, na cidadezinha de Littleton, Estados Unidos. Em questão de minutos, mataram doze estudantes e um professor e feriram outras vinte e quatro pessoas, antes de tirar a própria vida. Desde então, Sue Klebold, mãe de Dylan, convive com a dor e a vergonha indescritíveis por aquele dia. Como seu filho, o jovem promissor que ela criou com tanta dedicação, pôde ser responsável por tamanho horror? E como, convivendo com ele diariamente, ela não percebeu que havia algo errado? Houve sinais sutis que ela não captou? O que ela poderia ter feito diferente? Essas são perguntas com que Sue se debate todos os dias desde a tragédia de Columbine. Em O Acerto de Contas de Uma Mãe, ela narra com honestidade rigorosa sua jornada para tentar lidar com o incompreensível. Na esperança de que os insights e o entendimento que ela obteve ao longo dos anos possam ajudar outras famílias a reconhecer quando um adolescente está com problemas, Sue conta sua história na íntegra, recorrendo a seus diários pessoais, aos vídeos e escritos que Dylan deixou e a inúmeras entrevistas com especialistas em saúde mental. (SKOOB)

"Dois tipos de crime nos afetam mais que qualquer outro: aqueles nos quais as vítimas são crianças e aqueles nos quais as crianças são os agressores. No primeiro caso, choramos os inocentes; no segundo, o equívoco de que crianças são inocentes. Tiroteios em escolas são os crimes mais chocantes de todos porque envolvem ambos os problemas, e, entre todos os tiroteios escolares, o de Columbine permanece como a principal referência, o modelo com o qual todos os outros estão em débito."

(...)

"Este livro não é um documento catártico com a intenção de fazê-la se sentir melhor. É apenas uma narrativa de aceitação e de luta, de tomar as rédeas de seus tormentos na esperança de poupar aos outros uma dor como a dela, como a de seu filho e como a das vítimas dele." 





Um livro incrivelmente tocante. Todas as vezes que recebemos uma notícia de uma tragédia que envolve crueldade e homicídio automaticamente nos colocamos no lugar dos familiares das vítimas. Choramos e sofremos por eles, ansiamos por justiça e os colocamos em nossas orações. Mas ninguém se lembra dos familiares do algoz, do assassino. Ninguém se lembra que a pessoa que cometeu tal atrocidade tem uma mãe, um pai, irmãos e amigos. Este livro nos lembra exatamente disso. Nos mostra como é difícil esse papel. Ser mãe de um assassino. Pq sem cometer crime algum essa mãe é posta no banco dos réus e é julgada. Condenada sem poder se defender. Não tem ao menos o direito de chorar pelo seu filho. 
É um relato sincero, sobre a dor, a humilhação, a inconstância dos sentimentos. Sobre ter a vida virada de cabeça pra baixo, sobre se sentir inútil, culpada. E sobre perdão. 

Impossível não ser impactada por essa leitura.

amor,

Irmã

"Não há amiga como uma irmã. Em tempos calmos ou tormentosos, para levantar o ânimo em caminhos tediosos.; para procurá-la, se vc se perdeu; para ajudar vc a se levantar,se vc tropeçou; para fortalece-lá se vc ainda está de pé."

Dividindo risos e choros. Códigos particulares, dramas e situações vergonhosas. Nós entendemos uma a outra como ninguém Pq viemos do mesmo lugar, divididos a mesma história. 
Ouso dizer que não existe uma relação tão sólida e essencial quanto a amizade e cumplicidade entre irmãs. 
Que bom que a gente tem a gente! 


Estaremos sempre juntas.





Te amo irmã. 

amor,

Meu amor e melhor amigo.

Eu continuo olhando você e te achando tão lindo quanto na primeira vez que te vi. Você continua me achando boba por não saber parar de te olhar. Você nem percebe que o que te torna tão maravilhoso é você não ter ideia do quão maravilhoso você é. Você me apoia quando estou triste, me abraça quando não sei o que fazer, me perdoa quanto te magoo, pede perdão quanto estou magoada. Você beija minha testa, me conta sobre seu dia, seu time, seu trabalho. 
Eu ouço tudo feliz por saber que a gente se escolheu pra dividir a vida, pra ser um do outro, pra voar livres lado a lado. Eu olho pra trás e vejo que valeu a pena cada lágrima, cada desilusão, cada oração, porque tudo aquilo me preparou, me destinou para você, o melhor que a vida poderia me dar. 
Eu deito no seu peito e por um momento esqueço da loucura lá de fora, do governo, do bandido, da falta d'água, dos dilemas e tristezas do dia a dia. Você me mostrou um amor tão bonito, que traz uma paz tão imensa. 
Você é tão raro, tão lindo, tão diferente. Ando pelas ruas da cidade pensando em você. Pensando em como seria vazio se você se fosse. Pensando em quanto eu quero que você fique pra sempre comigo. 
Eu que achava ser durona, me desarmei com seu sorriso. Logo eu que nunca fui de me entregar assim… Vi que pra você eu podia entregar o amor que eu guardei por não saber dar, não saber lidar. E entreguei. Olha, valeu a pena. Valeu muito a pena.

- Drica Serra; a menina e o violão. Para meu amor e melhor amigo.

música,

Eu acredito...

(Baseado descaradamente na tradução da música I Believe, da banda Savage Garden)



Acredito que nunca deveríamos deixar o sol se pôr sobre uma briga.
Acredito que muitas vezes (e erroneamente) depositamos nossa felicidade nas mãos de outros.
Acredito que nossos pais fizeram o melhor que podiam, mesmo que não pareça.
Acredito que as revistas de beleza promovem a baixa auto estima.
Acredito que posso me sentir amada, mesmo estando completamente sozinha.

Acredito na lei da semeadura. O que você planta, você colhe.
Acredito que não conseguimos apreciar o verdadeiro amor até que tenhamos sido feridos ao máximo.
Acredito que a grama do vizinho pode parecer mais verde, mas não é.
Acredito que não sabemos o valor do que temos, até ter que dizer adeus.

Acredito que a lealdade é mais importante do que a monogamia.
Acredito que o coração, a alma e a mente são as partes mais atrativas de uma pessoa.
Acredito que a busca por dinheiro e sucesso está longe de ser a busca da felicidade.
Acredito que o perdão é libertador pra quem perdoa.
Acredito que o amor é uma escolha diária.
Acredito que frequentar uma igreja não faz de ninguém um cristão.
Acredito que o verdadeiro amor sobrevive a tudo.



amigos,

Pessoas raras



Em um mundo onde raras pessoas realmente se importam é bom saber que temos com quem contar.
São poucos.
Bem poucos.
São muitos que querem ser ouvidos, poucos que escutam.
Muitos que querem dividir suas mazelas, Poucos que querem saber como vc está. 
Eu conto nos dedos quantos: " VOCÊ PRECISA DE ALGO?" eu ouvi na vida.
Mas poderia enumerar mais de 100 "preciso de você" que recebo.
O ruim de ser sempre solicita é que quando vc precisa só escuta o ECO.


Tenho uns poucos e bons ouvidos. Sou grata a Deus por eles. Grata por cada amigo que consegue entender meu silêncio.

E tenho me cansado um pouco dos que só querem Meus ouvidos. Um dia desses baixo as portas e fecho meu "consultório". Não por mágoas, só por cansaço mesmo.

Deus sabe.

amigas,

Sobre amizade

“— Você realmente entende o que é amizade.
— Como assim?
— Minha tia Bee sempre disse que, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a definição de um verdadeiro amigo não é uma pessoa que te ajuda quando você está passando por maus bocados. — Ela balançou a cabeça. — Qualquer um pode fazer isso. A verdadeira amizade, ela diz, é quando alguém pode apreciar a sua felicidade, até celebrar sua felicidade, mesmo quando ele mesmo não está feliz. — Olhou para mim com olhos compreensivos. — Você é assim, Claire.
Meus olhos brilharam.
— Obrigada, Em.”


Trecho de: Jio, Sarah. “Neve na Primavera.” Editora Novo Conceito,

eu por mim mesma,

Mais de mim...


Eu sempre fui muito reservada. Pouca gente sabe da minha vida. Não alardeio minhas conquistas, aprendi que muita gente não quer nosso bem, tem também os que nos querem bem, mas sentem uma pontinha de inveja quando nos veem voar alto demais. Não grito minha dor pra quem não tem remédio pra curar, paciência pra ficar ao meu lado até a ferida cicatrizar. Aprendi, também, que o amor tem voz própria. Se alguém me olhar, por um instante que seja, conseguirá perceber o amor na leveza dos meus passos, na frouxidão do meu riso, na ternura que tenho trazido no peito. Isso basta. Não preciso gritar ao mundo inteiro o que cabe só a mim e a quem eu amo. Minhas maiores conquistas aconteceram quando eu fiquei quietinha, quando estive nas batalhas que ninguém me viu lutar. Quanto mais os outros sabem da nossa vida, mais querem saber. Não gosto disso, nem dou aos outros essa liberdade. Converso com um monte de gente, mas confio em pouquíssimos. Minha mãe me ensinou isso desde criança, mas só aprendi depois de quebrar a cara algumas vezes. Olha, se eu ganhar ou perder, a dor é minha, o problema é meu. Eu sou feliz, sim. Eu choro, sim. Eu amo, saio, me divirto… Só não me exponho tanto, nem sou obrigada a isso. Minha vida não é espetáculo.


- Drica Serra, a menina e o violão

Sobre casamento.


“Ser individualmente inteligente não quer dizer construir uma relação inteligente e saudável. Pessoas cultas podem construir uma relação irracional, falida emocionalmente, saturada de atritos, destituída de sensibilidade e troca. Casais saudáveis se amam com um amor inteligente e não apenas com a emoção. Quem apenas usa o instrumento da emoção para sustentar o relacionamento corre o risco de ver seus sentimentos flutuando entre o deserto e as geleiras. Num momento, a pessoa vive as labaredas da paixão, noutro vive os glaciares dos atritos. Num período trocam juras de amor, noutro trocam golpes de ciúmes. Hoje são dóceis como os anjos, amanhã são implacáveis como carrascos.
“A relação desinteligente é intensamente instável, enquanto a relação saudável, ainda que golpeada por focos de ansiedade, tem estabilidade. A relação desinteligente é saturada de tédio, enquanto a saudável tem uma aura de aventura. Na relação desinteligente, um é perito em reclamar do outro, enquanto, na relação saudável, um se curva em agradecimento ao outro. Na relação desinteligente, os atores são individualistas, pensam somente em si, enquanto, na saudável, os partícipes são especialistas em procurar fazer o outro feliz. Na relação doente se cobra muito e se apoia pouco, na saudável se doa muito e se cobra pouco. Que tipo de casal você forma: saudável ou doente, inteligente ou desinteligente?
Casais inteligentes têm uma mente madura, atentam ao essencial, à grandeza do afeto, à notoriedade do diálogo, ao espetáculo do respeito mútuo, enquanto casais desinteligentes valorizam o trivial, brigam por tolices, dissipam sua energia psíquica com pequenos estímulos estressantes, são rápidos em se acusar e lentos para se abraçar.”
(...)
Trecho de: Cury, Augusto. “As regras de ouro dos casais saudáveis.” Editora Planeta do Brasil Ltda. 




O casamento é um relacionamento em que dois pecadores ficam tão juntos, que todas as máscaras caem. Não se trata apenas do fato que, às vezes, usamos nossa melhor expressão facial em público.
Quando somos casados, vemos um ao outro em todos os tipos de situações, incluindo algumas muito difíceis. Toda a maravilhosa diversidade que mantínhamos requintadas e subjugadas, antes do casamento, se revelam depois da lua-de-meu. 
Começamos a ver um ao outro como realmente somos – em estado natural, sem censura e em cores. Se os nossos olhos estiverem bem abertos, descobriremos coisas maravilhosas a respeito de nosso cônjuge, coisas que desconhecíamos. Também descobriremos mais acerca das fraquezas da outra pessoa. 
Não admiramos que Martinho Lutero tenha chamado o casamento de “a escola do caráter”.
- Dave Harvey | Quando Pecadores Dizem “SIM"