mãe,

A minha gratidão é uma pessoa.


Hoje é dia de saudades!
Três anos sem você.
Já faz tanto tempo!
Doeu tanto. Tive tanto medo de te esquecer, de deixar a vida seguir.
Achei tão injusto quando o sol nasceu, quando sorri, quando tive bons momentos.
Depois entendi que você nunca foi embora de fato, vc ainda me aquece, me ajuda a seguir, me cuida, me dá colo, daqui da sua nova morada: dentro de mim.

Como cresci minha mãe!
Como me fortaleci, como me transformei, me reinventei tantas vezes, e sei que ainda farei muito isso.
A sua morte me tirou o chão,  quase me matou junto; mas depois me trouxe tanta vida!
Aprendi tanto sobre mim mesma. Sobre a vida. Sobre Deus.

Todos os dias lembro de ti mãe, e faço dessas saudades combustível pra seguir. Encho meu coração de boas lembranças, gratidão e esperança e sigo em frente.
A todo momento vc está  presente.
Te reencontro todos os dias no espelho, em mim mesma, na Mari, nas tias.
Na vida que seguiu.
As vezes, Deus me deixa te reencontrar em sonhos, e como é bom!

Quando vc se foi, eu achei que nunca mais pararia de chorar.
Mas parei.
Ainda tenho meus dias cinzas,vezenquando as saudades vem pra judiar, o coração fica apertado, dói saber que não teremos novas lembranças, novas fotos. Aliás, a cada dia tudo fica mais distante. .
Faz tanto tempo que ouvi sua voz pela última vez, tanto tempo que rimos e conversamos.
Parece que faz séculos.
E parece que foi ontem.
As vezes parece até mentira. Quem dera fosse! .

Esses dias conversando com a Mari, lembramos da sua força! E que força!
E se hoje temos um tiquinho dessa força, é graças a você!
Aprendemos tanto contigo! Não apenas a força que vc nos ensinou a buscar em Deus, mas tbm sua força de vida, fé e resiliência. Somos tão gratas!

Obrigada mãe, por ter feito tanto.
Obrigada por ter deixado sempre seu ego de lado para nos criar pra vida.
Obrigada por todo amor plantado em nós!
Obrigada pela herança do riso frouxo.
Por nos ensinar a ter bom humor e obrigada por nos fazer fortes.

Fica tranquila aí mãezinha! Fica em paz! Não se preocupe se eu chorar as vezes. É uma forma de tirar a dor de dentro de mim. Não se preocupe, meu riso é frouxo como o seu, em pouquíssimo tempo ele reaparece.

Te amo mãe! Obrigada por tudo que me deu e deixou em mim.
Obrigada pelo exemplo de amor à vida até o último minuto.
Pelo exemplo de alegria e resignação. Obrigada por ter plantado isso em mim.


"...se eu pudesse eu queria outra vez, mamãe, começar tudo, tudo, de novo..."

reflexões,

Representatividade

Da série coisas que chamam de mimimi, e que se você exercitar a empatia verá que é de fato um problema. 

Ilustração: Suryara Bernardi

Eu estava agora a pouco , dando uma olhada em uma loja que vende marcadores de livros magnetizados, eles usam desenhos de personagens literários ou de filmes, desenhos de bonecas,enfim, tudo muito fofo.

Na hora busquei uma pra mim. 
Sempre escolho uma "parecida"  comigo,  no caso, branca de cabelo escuro.  
Tinham várias. 

Então pensei.
E se eu fosse negra? 
Ou morena?
Até mesmo cacheada? 

Não teria NENHUMA
NENHUMA negra,  morena,  de cabelo afro, nem ao menos de cabelos cacheados. 

E então? 
Como essas pessoas se sentem representadas?

"Ah Cibele,  que tolice" 
Normalmente quem diz isso tem a pele clara e o cabelo liso. E nunca viveu isso né?

Mas se esforce pra se colocar no lugar do outro.

Imagina uma criança  que não encontra uma boneca parecida com ela, ou uma capa de caderno, ou um simples marcador de livro.  
Enquanto pras crianças brancas tem uma enorme variedade. 

Isso é legal? 

Hoje em dia encontramos algumas bonecas negras,  mas ainda são poucas. 
Se você der um Google verá que as primeiras barbies negras são recentes,  e tinham cabelos lisos,  olhos claros e traços caucasianos. Muito recentemente é que lançaram uma Barbie negra com cabelo afro e traços condizentes. 

Imagina viver em um mundo que finge que você não existe.
Imagina ver seu filho passando por isso.
Talvez se você imaginar um pouco consiga compreender que isso está longe de ser mimimi.


"A representatividade é vital. Sem ela a borboleta rodeada por um grupo de mariposas, incapaz de ver a si mesma, vai continuar tentando ser mariposa."



aniversário,

3.9



Então os 39 chegaram.
Chegaram com mais maturidade, serenidade,tranquilidade.
Vários "ades" que ganhamos com a idade.
Aos 39, alcancei a almejada LIBERDADE.
Liberdade de ser,de crer, de falar,me calar,de estar e de me retirar.
Hoje sei escolher minhas batalhas,e sei pra onde devo voltar meu coração.
Valorizo minhas lutas e quem luta comigo.
Aceito minhas limitações, porém não aceito a zona de conforto.
Enxergo meus defeitos,sei voltar atrás,não perco tempo com orgulho ou auto comiseração.
Fujo do vitimismo e da incoerência.
Estou aprendendo a amar o tempo.
Tempo que antes cansava,hoje me ensina.
Estou aprendendo a amar os maus momentos.
Eles me treinam.
Estou aprendendo a entregar meus inícios sem deduzir o fim.
O amanhã é de Deus.
Cabe a mim ser totalmente dEle eternamente hoje.
E amanhã me comprometer novamente.
Mergulhada em oração descubro que me descabelo por tão pouco e o infinito é logo ali.
É preciso tempo para respirar…

Sei que todos meus acertos são fruto da graça de Deus.
Meus erros fruto da depravação própria de todos humanos.
E descanso na certeza de que àquele que começou a boa obra em minha vida,vai terminar.
Pq dEle, por Ele e para Ele são TODAS as coisas.
Estou aprendendo a amar o tempo.
Seus hiatos me protegem, seus silêncios me conduzem, e ele sempre e sempre me ensina muito!
Que meu viver seja Cristo, todo o mais é lucro!

Renova-te.Renasce em ti mesmo.Multiplica os teus olhos, para verem mais.Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.Destrói os olhos que tiverem visto.Cria outros, para as visões novas.Destrói os braços que tiverem semeado, Para se esquecerem de colher.Sê sempre o mesmo.Sempre outro. Mas sempre alto.Sempre longe.E dentro de tudo.
Cecília Meireles

dor,

Com dor mesmo.

Hoje acordei e pensei: gostaria de passar o dia na cama. 
Minha vontade era não sair de casa,  não ver ninguém. Não falar com ninguém. 
Pensei que seria maravilhoso fugir pra algum lugar onde as saudades e a dor não pudessem me alcançar.
Mas eu me levantei. 
Fui com dor mesmo.
Me arrumei, lavei meu rosto,  passei filtro solar, com dor mesmo. 
Ajeitei minha casa, com dor mesmo.
Entrei no uber, conversei amenidades ,com dor mesmo.
Fui na nutricionista,  me cuidei. Com dor mesmo. 
Brinquei com minhas cachorras,  planejei viagens,  conversei com amigas. Com dor mesmo. 
Fiz planos com meu marido, tomei um café vendo um vídeo bobo no YouTube.  Com dor mesmo. 
Fui pra academia,  entreguei um bom treino de pernas.  Tirei foto sorrindo.
Com dor mesmo.

Pq a vida não pára  pra vc recolher os cacos do seu coração. 
Pq apesar de parecer um absurdo (e parece) a vida continua, apesar de tudo.
A vida é isso. 
Dias incríveis.  Dias terríveis. 
E a gente tem que seguir em frente. Com fé e a certeza de que Deus continua sendo bom, e continua sendo Deus.



Um ps:
Todas as vezes que vou tomar banho eu ligo o chuveiro bem quente,  e deixo a janela aberta. 
Quando entro e a água quente toca meu corpo, eu fecho os olhos e torço pra sentir uma brisa fria. Quando essa brisa vem, sou imediatamente transportada para antes de 2008, pro nosso apartamento lá em Rio Preto.  
Pra quando éramos nós três. 
Não sei pq isso acontece,  mas a água quente com a brisa fria me faz transbordar de recordações e sentimentos. 
É um momento bom do meu dia.  
Um momento em que meu coração se enche de gratidão e saudades. 
Sinto tantas saudades. 
Sinto tbm uma tristeza imensa por todas as novas recordações que nunca teremos. 
Mas a gratidão é certamente maior do que a dor. 

Todas as vezes que vejo um pouco de minha mãe em mim mesma,  na minha irmã, sinto que a vida continua,  e que a não presença não significa ausência. Ela continua entre nós.

Hoje tomei 3 banhos quentes. 

amor,

Nunca foi sorte!



Amor,  já escrevi tanto pra vc, que seria impossível não ser repetitiva. 
E ao mesmo tempo, é muita vida, muito amor, pra ser traduzido em palavras.  
Escritas ou faladas.
São tantas coisas nossas, tanta experiência dividida, alegrias, lutas, descobertas, aprendizados. 
É tão bom ter você como meu companheiro de caminhada! 
E o mais incrível é que fica cada dia melhor. 
Eu soube que seria pra sempre desde o primeiro momento juntos. 
Desde aquela viagem pra SP. 
Você, meu amor, me mostrou que podemos ser firmes e leves, sérios e brincalhões, profundos e engraçados. Com você, é tudo mais fácil.  Com você,  as lutas não parecem tão  assustadoras.

Obrigada meu amor. Sou grata a Deus pela sua vida e por nosso relacionamento.
Daqui alguns meses completamos 11 anos de casados. 11 anos de construção e desconstrução. 
Juntos.
11 anos de amor, amizade, cumplicidade.
Já passamos por muitas coisas, alegrias, tristezas, saúde, doença, dificuldades de todo tipo ; muitas mudanças (5 estaduais), muita torcida contra, mas tbm muita torcida a favor, orações e apoio de amigos.
Nesses 11 anos foram Infinitos bons momentos, viagens, muitas séries finalizadas, muitos filmes, descobertas, aprendizado e crescimento mútuo.

Um bom casamento não é feito de duas pessoas perfeitas que se amam como em filmes românticos. 
Um bom casamento é construído por duas pessoas dispostas e comprometidas. Que sabem que o perdão deve ser diário,  que sabem ceder, e que decidem estar juntos apesar de tudo,  ou apesar de nada.
O amor é sim, uma escolha.
É uma escolha diária de perdão, compreensão,  suporte e cuidado.
E é muito fácil escolher amar você.

Glorifico ao Senhor, pois sei que tudo que temos de bom é graça dEle, e nas lutas, Ele nos tem capacitado a escolher amar, perdoar e permanecer. 
Ou seja: graça sobre graça. .

Então,  parabéns! Que dia feliz! Dia de celebrar sua vida! Dia de gratidão! 
Amo você! Amo nossa família, nossa matilha, nossa história e nossa vida a dois!
Que venham muitos anos bem vividos pela frente! Te amo, a perder de vista. 

Sempre serei grata a Deus pelo nosso amor. Por esse encontro incrível e único.  Obrigada por caminhar comigo, por me aceitar exatamente como sou, todos os SOU que eu já fui!

"Maior que o amor e a carne, um secreto acordo, uma promessaDe socorro, de compreensão e de fidelidade para a vida." (Vinicius)

luto,

Ainda sobre saudades.


Um dia desses eu me dei conta de que há quase dois anos eu não pronuncio a palavra “mãe” referindo-me à minha, sabe?
Eu sinto tanta falta disso. Frases simples como “oi mãe tudo bem?” ou “mãe, a senhora viu fulano”? Ouvir seu: "Fica com Deus filha".
Então, isso não faz mais parte da minha vida.

Tanta coisa para ser dita a ela e tanta coisa que eu gostaria de ouvir dela...
Quando perdemos a nossa mãe, tanta coisa se agiganta dentro de nós. Fica um grito preso na garganta e uma louca vontade de voltar no tempo.
Tantos “porquês”, tantos “e se”…tantos “ah, se eu tivesse”. E assim vamos levando a vida sem o amor que era uma amostra do amor de Deus. E nos damos conta de que, aqui na terra, nenhum amor se assemelha ao dela.

Perder um amor dessa magnitude nos torna desprotegidos e assustados. Sabe, carinho de mãe é sempre aveludado, por mais ásperas que sejam as suas mãos. O cheiro dela é sempre gostoso, mesmo que ela não use perfume…é cheiro de amor.♡ Sempre que viajo de avião, por entre as nuvens, eu fantasio que estou bem perto da minha mãe. Eu a imagino sentada num banquinho olhando para o horizonte e esperando por mim, em frente a uma casinha bem simples. Na cena, todos os cachorros que tivemos um dia, estão presentes. Tem também um bule de café e bolinho de chuva. Eu chego e nos abraçamos por muito tempo. 💔

Texto: Ivonete Rosa .



Todos os dias sinto saudades da minha mãe, coisas simples do dia a dia me fazem lembrar dela.
 Seja  um programa de TV,  uma comida que ela fazia, um cheiro, uma frase, as cachorras fazendo graça,  uma notícia pra dividir. E meu reflexo no espelho.
Sempre lembro.
Sempre dói.
Um aperto no peito,  um dedo fundo na ferida. Já faz parte da minha nova vida,  a vida sem mãe,  a vida sem ela.
Mas quando vou a Rio Preto, me vejo em meio a um turbilhão de lembranças.
Andar pelas ruas que ela andava,  estar no apartamento,  com minhas tias, tão parecidas com ela.
Ela está em todos os lugares.
E não é fácil.
Mas ao mesmo tempo meu coração se enche de gratidão por ver tudo que construímos,  as memórias lindas que ficaram, o carinho sempre presente.

Dizem que o tempo cura a dor. 
Eu discordo.
Talvez o mais correto a dizer seja que o AMOR cura a Dor. O amor é capaz de transformar a cicatriz em gratidão. As saudades em lembranças gostosas, e a tristeza em esperança.
Deus é bom.
A vida é dura, mas Deus continua sendo bom.
E continua sendo Deus.

Deus,

Sossegai

Não olhe demais para os seus pecados, mas olhe também para a sua graça ainda que fraca. Cristãos fracos olham mais para os seus pecados do que para suas graças recebidas; Deus olha para suas graças e não atenta tanto para seus pecados e fraquezas. O Espírito Santo disse: "Ouvistes da paciência de Jó"; mas Deus leva em conta não o que existe de mau em seu povo, mas o que é bom nele. É mencionado o fato que Raabe escondeu os espias, mas nada é mencionado a respeito da mentira que ela contou. Aquilo que foi bem feito foi mencionado como louvável sobre Raabe. Já o que foi inapropriado está sepultado em silêncio, ou pelo menos não está registrado contra ela e nem como acusação contra ela . Aquele que desenhou o quadro de Alexandre com sua cicatriz na face, desenhou-o com seu dedo sobre a cicatriz. Deus coloca o Seu dedo de misericórdia sobre as cicatrizes de nossos pecados. Oh, como é bom servir um Senhor assim, que é pronto a recompensar o bem que fazemos e ao mesmo tempo está pronto a perdoar e esquecer o que é inapropriado. Por isso, vocês que têm só um pouco de graça, lembrem-se que ainda assim Deus terá os Seus olhos sobre esta pequena graça. Ele não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega. (Is 42:3)
Christopher Love 




DEUS é soberano.
Nada acontece a sua revelia.
O vaso se estragou nas mãos do Oleiro, não pq o oleiro se distraiu,  ou errou em algo, e sim pq é da natureza do vaso se estragar.
O oleiro estava entregue à sua obra. Atento.
Ainda assim, o vaso se estragou.
E então,  O oleiro que é Criador e Regenerador, refez o vaso. Segundo Bem lhe pareceu.
Segundo Seu propósito. .
.
Não se desespere se vc estiver se sentindo um vaso quebrado, nós somos barro e sujeitos a estragar, mas o oleiro não desiste de Sua obra.
Ele refaz.
Restaura.
Regenera.
Estamos sendo moldados, e esse processo dói, pense no processo que envolve fazer um vaso: amassar o barro, tirar impurezas, cortar as sobras, modelar, levar ao forno. E isso  tudo inúmeras vezes. .estamos nesse processo! .
Portanto,  confie no Oleiro. Ele sabe o que está fazendo.
E Ele mesmo vai lhe refazer quantas vezes for necessário, até que a Obra se complete.
Deus É Bom o tempo todo.

fitness,

Aceitação e Cuidado.

Sempre que posto uma foto na academia as pessoas se surpreendem com minha mudança. Seja a mudança física ou a mudança de atitude. Eu odiava atividade física, era dona e proprietária da Associação dos Sedentários Convictos. E hoje em dia não faço esforço pra vir, é um prazer!

Eu fui obrigada a mudar tanto ? Lógico que não. Eu poderia apenas comer melhor e fazer uma caminhada, pela minha saúde.
Obviamente mudei meus hábitos,a priori pq queria mudar meu físico.
Eu me incomodava com o braço roliço, as pernas muito grossas,com a barriga, a celulite, o rosto (ainda mais) redondo. E eu vi que era absolutamente viável mudar. Eu poderia "me conformar"?
Poderia, mas eu não quis.

Eu quis mudar e vi que só precisava de disciplina e constância.
Isso NÃO É FUTILIDADE! É apenas uma decisão pessoal.

Ninguém tem que ter um abdômen definido, braços e pernas assim ou assado.
Ninguém precisa ser magro, forte, gordo, loiro ou moreno.
Gosto é pessoal. Você só tem que ser como,e quem, você quiser.
Querer mudar não é ruim.
Assim como não é ruim não querer mudar!

Entendem? você pode, e deve, se aceitar e se amar.
Mas isso não significa que você não pode querer mudar. Não são antônimos.
Na verdade, caminham juntos.
Eu me amo, eu me aceito. POR ISSO me cuido.
AMAR-SE é prè requisito de qualquer mudança duradoura.
Aceitação não é descaso.
E cuidado não deve ser obsessão.
Ache o equilíbrio.
Eu encontrei, e quando isso aconteceu,pude estabelecer minhas metas.
Pelos motivos certos: por mim mesma, e não para me encaixar em padrões.


Se ame! 
Vença seus limites, sempre respeitando suas limitações.
Saia da zona de conforto,é fora dela que você vai crescer!
Não desista, mas respeite seu tempo e dê suas pausas.
Se ame durante todo o processo, respeite sua história.
Se orgulhe de suas vitórias, e encare com leveza suas derrotas.
Não se compare a ninguém, você é única. (Se inspira, mas não pira!)
Se ame durante todo o processo, até nos dias ruins. Tá tudo bem. :)
Seja gentil com você mesma.




mãe,

O câncer não venceu.


E nunca digam que ela foi derrotada pelo câncer. 
O câncer pode ter levado o seu corpo, mas nunca levou o nosso amor, riso, esperança, ou alegria. 
Não foi uma “batalha”, foi apenas a vida, que muitas vezes é brutal e aleatoriamente injusta; simplesmente é assim que as coisas são às vezes. Ela não perdeu.
A maneira como ela viveu durante toda sua vida, sua alegria e fé inclusive no período com câncer, é algo que eu considero uma vitória bem grande. ♡ .

Sempre vou amar. 
Sempre vou lembrar. 
Sempre serei grata. 



°(Texto adaptado do livro Para depois que eu partir) 

amizade,

Narcisista: Amigo ou Inimigo?



Para a mulher narcisista típica, você não é nada mais do que um objeto de “suprimento narcísico secundário” que fornece a ela tudo o que ela quer ou precisa dentro do relacionamento.
Tipicamente, ela interpreta erroneamente suas próprias necessidades narcísicas como “emoções”, por isso se autodenomimam pessoas intensas.
Essas necessidades emocionais que a mulher narcisista apresenta podem ser facilmente confundidas com vulnerabilidade e entrega, e ela se aproveita disso, agindo constantemente com a vítima.
Não é surpreendente que você acredite que tem uma amizade verdadeira com ela.
Ela é manipuladora e bajuladora,e você acaba se enganando, achando que ela se preocupa com você,mas, na realidade, você não importa pra ela, porque ela está no centro do seu próprio mundo, onde ela é a Rainha. O mundo dela começa e termina com ela, mas ela faz de tudo para disfarçar esse fato de todos com quem ela se relaciona(marido, namorado, filhos, pais, irmãos, amigos e colegas de trabalho).

Menciono amigos, mas na realidade ela não entende o que significa ser um amigo, não no sentido normal da palavra.
O que ela tem são conhecidos que ela se refere como amigos, e eles vêm e vão em sua vida com grande regularidade.
Os conhecidos podem pensar que são amigos por um tempo, mas logo eles se tornam conscientes de que eles estão em um relacionamento unilateral dedicado apenas às necessidades narcísicas. Quando "o conhecido" procura um relacionamento recíproco, a mulher narcisista fica entediada muito rapidamente e o relacionamento chega a um fim abrupto e inexplicável. A mulher narcisista torna-se fria, desinteressada e distante, e a amizade está quase perdida para a perplexidade do amigo.
O que o amigo geralmente não consegue perceber é que eles estão experimentando uma relação utilitarista (uma ausência de envolvimento mútuo entre amigos) - isso é uma inversão do modo como o narcisista era tratado por seus próprios pais, especialmente a mãe.
Cada perda que a fêmea narcisista experimenta é outra ferida narcísica para ela e, para lidar com isso, ela explica seu déficit racionalizando que os amigos sempre a desapontam.

Quando o relacionamento dá errado, a desculpa típica e muito usada dos narcisistas é dizer que sua amiga estava “com inveja dela”; portanto ela teve que terminar o relacionamento. A verdade é que, sem seu investimento na outra pessoa, a relação começa a se desgastar, e esse desgaste é notado por seu ego frágil como rejeição (um lembrete de interações precoces e inconsistentes da primeira infância por parte de sua mãe),e esse sentimento de rejeição a deixa apavorada.
Assim, ao menor sinal de rejeição (real ou imaginária), as narcisistas dão à chamada “amizade” o golpe, desta forma ela é poupada dos intoleráveis ??sentimentos de abandono que ela não pode tolerar em qualquer relacionamento.
Você precisa entender que não é nada que você tenha feito; seus atos são porque ela responde a alguns eventos com extremo medo de abandono - eventos que teriam pouco significado para uma pessoa saudável. No entanto, tudo isso leva a muita confusão para aqueles azarados o suficiente para estarem em um relacionamento de amizade com alguém com o distúrbio de personalidade narcisista. Uma vez que ela decidiu que a amizade está chegando ao fim, ela agora vai em busca de outra fonte de suprimento narcísico para preencher a lacuna do chamado amigo, e assim o ciclo continua.

Quando se trata de inveja, não há pessoa mais invejosa do que uma mulher narcisista.
Sua inveja é na verdade uma reação de raiva sempre que ela se sente incapaz de controlar ou possuir algo que outra pessoa tenha.
Ela tem um intenso ressentimento por qualquer um que ela ache que tenha alguma forma de vantagem sobre ela (pode ser suas habilidades educacionais, seu status social, sua aparência física, sua criatividade, seu sucesso, sua riqueza, sua popularidade ... ou qualquer coisa de fato).

O que quer que a mulher narcisista perceba que outra pessoa tenha e ela não possoi, vai enche-la de uma necessidade insaciável de cobiçar. A causa principal de sua inveja narcisista pode ser rastreada, provavelmente, de volta às graves inadequações encontradas no relacionamento mãe / filho que ela experimentou.
Infelizmente, a relação disfuncional entre a criança pequena e a mãe leva a criança a experimentar fortes ondas de agressão que se manifestam sob a forma de inveja. Além disso, quando uma criança se sente rejeitada por sua mãe por ser muito carente, a criança aprende a sentir suas necessidades como vergonhosas.
Para se proteger de sentimentos vergonhosos, eles se convencem de que não precisam depender de ninguém além de si mesmos.

Para se sentir segura, a personalidade narcisista busca a superioridade e a busca pelo perfeccionismo, a grandiosidade e a justiça própria começam.
Infelizmente, a superioridade do narcisista é no fundo um “complexo de inferioridade” que abriga sentimentos inconscientes de baixa autoestima e inadequação.
Assim, a fim de manter sua posição superior, ela desvaloriza outras pessoas que ela imagina terem mais prestígio do que ela. Mas antes de fazer isso, ela se esforça para se tornar como essa pessoa, para aprender o que pode com ela, tenta manipular essa pessoa para que ela se sinta mais poderosa do que ela e, finalmente, descarta essa pessoa projetando “inveja” para eles.

É através desses métodos de projeção ou identificação projetiva, que o narcisista se livra de suas próprias emoções dolorosas e invejosas para poder manter seu sentimento de superioridade.
Não há regras sobre como ela consegue isso, ela fará isso da maneira que puder, por exemplo arruinando a reputação da outra pessoa, ou esgotando a pessoa psicologicamente.

Ela então calmamente segue para o próximo ciclo de perseguição, esgotamento e eliminação que é interminável.




Dra Christine Louis de Canonville
Do site: https://narcissisticbehavior.net

dor,

Um ano voando sem ela...

Um ano sem minha mãe, minha amiga, minha referência de vida e na vida.
Um ano voando sozinha por esse mundo.
Difícil continuar sem ela, ainda tenho muito de filha em mim, sinto falta das conversas, do dia a dia.
Da presença.
A presença que permanece nas lembranças diárias, nos presentes espalhados pela casa, em cheiros, lugares e programas de TV. E no meu reflexo no espelho.

É a presença constante, com o vazio da ausência.
E isso dói todos os dias, e vai doer pra sempre.
E está tudo bem.
Pq faz parte da vida. Deus nos dá o lado feio pra que possamos valorizar o belo. Eu já disse antes e repito: se eu pudesse escolher não ter passado por toda essa dor, com outra mãe. Eu optaria por passar por tudo isso com a minha. Pq a dor de sua ausência não é maior do que as boas lembranças, do que os 36 anos que pude viver com ela.
Dói não tê-la aqui, hoje um ano depois não é mais desesperador, descobri que sou mais forte do que imaginava, mas ainda assim dói.

Nesse um ano sem minha mãe aprendi muito.
Fecho esse ciclo muito mais forte, mais fiel a mim mesma, valorizando o que realmente significa e vivendo tudo com mais intensidade, pois hoje carrego em mim a lição da vulnerabilidade da vida. Tudo pode mudar em um piscar de olhos.

E quando isso acontece, vc não se lamenta pelos diplomas que não obteve ou pelo dinheiro que não guardou, vc se lamenta pelas viagens que não fez, os assuntos que não finalizou e os sentimentos que não viveu.
Vc se lamenta pelo tempo perdido com mediocridades, pelos livros que não leu, os abraços que deixou de dar...

Por isso digo: Valorize o que é eterno, esteja rodeado de pessoas do bem, não force relacionamentos abusivos, não se contente com a insatisfação e frustração, recomece sempre, não tema parecer boba, perdoe, peça perdão, se livre das mágoas, zere sua conta, cuide de você e das pessoas que caminham contigo.

E não esqueça: 

Deus é bom o tempo todo.
A vida é sincera.
O que vc plantar, colherá.
E só fica o que significa.

"De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças. "
Cecília Meireles

clone,

Queria ter um Clone



Se eu tropeçasse em uma lampada mágica meu pedido ao gênio certamente seria: Quero ter um Clone. Não um clone qualquer, queria um clone verdadeiro, fisicamente, emocionalmente, de corpo e alma.
Nossa comunicação seria por telepatia, ou por troca de olhares e expressões. Sem palavras. Tudo que eu vivesse, ele viveria. Quando eu estivesse com dor de cabeça, por exemplo, ele também teria. Então juntos distribuiríamos grosserias e resmungos a todos ao nosso redor, juntos tomaríamos uma pílula e deitaríamos no escuro esperando passar. Ele entenderia minha irritação, mas não diria nada. Nem "que droga", nem "poxa vida", nem desejaria melhoras, nem faria cara de pena, nem se ofereceria pra ajudar em qualquer coisa. Apenas sentiria minha dor em silêncio, em solidariedade e compreensão.

Quando eu estivesse sem sono, ele estaria sem sono. E nós conversaríamos, riríamos, praguejaríamos até que os sonhos viessem. Nós sonharíamos as mesmas coisas, as mesmíssimas coisas. Acordaríamos no outro dia comentando o acontecido como quem comenta um filme bom, só que de forma ainda mais intensa, porque não vivenciamos bons filmes como vivenciamos bons sonhos. E nestes estaríamos lado a lado. Só nós dois compreenderíamos a verdadeira emoção de estar sendo perseguido por um lobisomem, ou de voar por todo lugar, ou o medo de estar em um elevador que nunca para. Eu saberia, ele saberia, e ninguém mais saberia. Ficaríamos felizes por causa disso, e nos ofenderíamos quando o resto do mundo negasse importância aos nossos devaneios. Mas balançaríamos a cabeça em sincronia, com dó e um pouco de desgosto, porque pobres deles que eles não estavam lá para entender…

Quando eu quebrasse uma xícara, ele quebraria outra – nós dividiríamos os olhares feios do resto da casa. E eu varreria os cacos, e ele juntaria os cacos com uma pá. E se eu ferisse meu pé num caquinho, ele se feriria noutro igual. Do mesmo formato, do mesmo tamanho. E sentiria a mesma pontada, e faria a mesma careta. Quando andássemos deixando poças de sangue pela casa, e as pessoas lançassem aquele olhar espantado, diríamos que quase não dói. Foi só um furinho, bem pequeno, não foi? Ele saberia.

Quando eu estivesse cansada, ele também estaria. Nos sentaríamos em qualquer calçada, em qualquer lugar. Talvez até tirássemos um cochilo, porque é bom tirar cochilos em companhia de alguém tão igualmente desesperado por cochilos. Nos levantaríamos na mesma hora, e seguiríamos andando, para o mesmo destino. Sem precisar trocar informações. Sem precisar chegar a acordos, sem precisar ceder vontades, sem precisar verbalizar motivos; apenas iríamos para onde quiséssemos, faríamos o que quiséssemos, e saberíamos que o outro sempre estaria lá.

Quando eu falasse sobre meus cachorros, ele também falaria sobre os dele. Com o mesmo brilho nos olhos, com o mesmo sorriso idiota, com a mesma empolgação de criança. Passaríamos tardes falando sobre cachorros, e rolando no chão com cachorros, e iríamos aos parques com eles. Não nos chatearíamos, porque gostaríamos de cachorros do mesmo jeito, e perder uma tarde dessa maneira apenas soaria correto.

Quando eu estivesse entediada, ele também estaria entediado. Não teríamos vergonha de nossas manias de velhos, portanto sorriríamos um para o outro em cumplicidade. Teríamos aquela estranha impressão de que o tédio não deve ser punido, mas lentamente apreciado. Não nos obrigaríamos a encontrar meios de matá-lo, como geralmente acontece entre pessoas ociosas. Contaríamos cada interminável segundo em branco, juntos, até que estes resolvessem partir. Porque nos sentiríamos confortáveis no silêncio, e no vazio, e na inércia mental, enquanto os outros se sentiriam aflitos.
Os outros, os bobos, os que não amam as coisas simples. Mas eu amaria, e ele amaria.

Viveríamos os melhores e os piores dias. Faríamos de tudo juntos, sempre da mesma maneira, com os mesmos resultados. Seríamos felizes e tristes ao mesmo tempo, radiantes e pessimistas também. Dividiríamos as mesmas alegrias, as mesmas desgraças, as mesmas realizações ou frustrações, com desapego e cuidado mútuos.

Então, quando eu finalmente cansasse dele, ele também já estaria cansado de mim. Longas despedidas, brigas, desculpas ou aborrecimentos não nos caberiam. Estaríamos acima disso, superiores a toda essa pequenez estafante, a toda essa balela melodramática. Nos entregaríamos num compreensivo abraço desinteressado, como consentimento silencioso, ordenando que cada um seguisse seu caminho. Sem olhar duas vezes para trás. Em direções opostas, exatamente opostas, já que tudo um dia cansa mesmo. Eu saberia, e ele saberia. Como ninguém mais poderia saber.


(Autor desconhecido, com algumas mudanças feitas por mim)

mãe,

Sobre perdas.





Perda.
Essa foi uma palavra que ouvi bastante nos primeiros dias após a partida da minha mãe. 
"Sinto muito por sua perda", uma frase que muitos falavam, seguida daquela expressão de pena, um abraço e um silêncio desconfortável.
Esse é o problema da morte.
As pessoas não sabem como agir,as pessoas não sabem o que dizer, e acabam repetindo o que acham que deve ser dito. 
"Ela está em um lugar melhor" - mas eu queria ela aqui.
"Ela foi uma heroína" - ela não precisava morrer pra ser.
"Ela estará sempre com você" - desculpa, isso não alivia em nada a minha DOR.
"Seja forte" - ok, apertarei o botão da força aqui.
"Sinto muito por sua perda". 
Vamos lá, vamos analizar esse termo. 

No dicionário "perda" é:

1.ato ou efeito de perder (alguém).
2.privação de uma coisa (alguém) que se possuía.
3.ausência, falta, desaparecimento.

Creio que sejam definições bastante precisas. Exceto pelo fato que a morte de alguém que vc ama, no meu caso, minha mãe, não causará sua ausência. Minha mãe continua por toda parte. Nos programas de tv que ela gostava, nas lembranças que o facebook trás, nas piadas que sei que ela riria, no toque do telefone pela manhã, e está principalmente no meu rosto todas as vezes que olho no espelho. 
Ela continua presente. Dolorosamente presente. 
Pq sim, ela está aqui. Mas ela não está aqui. 
E hoje, após quase um ano, isso é totalmente administrável. Mas as vezes, no meio do dia, uma onda me atinge e sinto um vazio absurdo no peito, um vazio que se instalou desde que ela morreu. A perda faz isso, vc consegue conviver, manter a cabeça acima d´água na maior parte do tempo, vc está bem seguindo sua vida, sorrindo, leve e em paz e de repente é como se alguém enfiasse o dedo na ferida e apertasse com toda a força. Momentos em que a tristeza vem de repente e com força. Sorrateira e ardilosa, chega sem avisar e a gente só se dá conta quando sente o coração apertado e o nó na garganta. 
A vulnerabilidade da vida. 

Uma das frases mais tolas que já ouvi, e que as pessoas repetem como se fosse verdade, é:
"O tempo ameniza a dor" - Não, a dor permanece a mesma, ela não ameniza. Inclusive as saudades aumentam conforme os dias passam. Mas vc aprende a lidar. Vc aprende a seguir em frente, aprende a enxergar o que não pode ser mudado com resignação. Você consegue até mesmo seguir em paz e se conformar. Mas a dor permanece. Em alguns dias ela virá como lembranças boas, de forma nostálgica e tranquila.
Em outros dias ela virá dilacerante, com muito choro.
E vc deve aprender a respeitar cada dia. Quer chorar? chora.
Tudo bem que já faz um ano, dois, cinco, dez. 
Chora.
Chora tudo que tiver que chorar, se abrace, sinta profundamente. Depois levanta, lava o rosto e segue em frente.

O que aprendi até aqui?
Aprendi que a gente só entende certas coisas quando vivencia. 
Aprendi que muitas vezes não preciso dizer nada, um abraço e um "estou aqui" valem mais do que frases de efeito. 
Aprendi que o tempo ensina, mas não muda, nem apaga cicatrizes.
Aprendi que minha vida nunca mais será a mesma. 
Essa é minha nova realidade. Sou uma filha, sem mãe. E serei assim pra sempre. E sentirei falta pra sempre. E vai doer pra sempre. 
Estarei com 60 anos e sentirei uma dorzinha sempre que olhar minhas amigas de 60 anos com suas mãezinhas de 90. Pq a minha não estará do meu lado, apesar de estar presente na minha vida, lembranças e coração. Pra sempre. 





aniversário,

3.7



Cheguei aos 37.
Quase 40. 
No pior ano da minha vida, o ano em que mais chorei, o ano que perdi minha mãe, minha referência. O ano em que tive que me reencontrar. Tanto emocionalmente quanto espiritualmente. 
Nesse processo de "volta pra casa" tenho estabelecido algumas premissas.  

Quero ser grata. Apesar de tudo, busco um coração grato pois sei que Deus está no controle de tudo.
Não tenho medo do pensam (ou falam) sobre mim, isso não define quem eu sou.
A  perfeição é uma corrida perdida, não me desgasto por isso. 

Mais que "um corpo" eu amo o "meu corpo", não me comparo com ninguém. 
Não bajulo ninguém, não tento agradar os que não gostam de mim. 
Não discuto com os falsos, sigo sabendo onde piso. 

Prezo pelo silêncio e pela minha própria companhia, fujo dos holofotes.
A voz alta querendo ter razão foi sendo substituída por olhos observadores. 
Respeito meus defeitos, mas não me apego a eles, reconheço minhas qualidades mas não levanto nenhuma como troféu. 

Amigos são presentes. Mesmo que não estejam presentes. 
Cada pessoa tem sua história, suas dores e suas flores. 
Antes eu queria impor minhas vontades, hoje aprendi a ouvir, a ceder e a compreender. 
Menos tumultos, perdi o medo das solidões. 
Sobre a solidão, creio que a palavra aqui é critério. Ninguém precisa de raspas e restos apenas pra não ficar só, temos que ser criteriosos, buscar a reciprocidade e a sincronicidade. Mas, é preciso se avaliar, olhar ao redor e se perguntar se você tem tratado o outro com zelo, empatia e compaixão. Sem isso não existe amizade. Relacionamento nenhum sobrevive ao egoismo e egocentrismo.

Prezo a verdade e a lealdade; ainda tenho minha acidez e vez ou outra, minhas mãos devolvem o tapa depois de ter minha outra face vermelha de tanto apanhar. Ainda sou imatura e cometo falhas levianas. 
Mas sei que evoluí. 
Tenho muitos anos ainda para crescer (que Deus me permita) e, outra coisa que aprendi com a idade, foi a me fazer, somente a mim, de referência de comparação.
Não existe um tempo para recomeçar, nem para começar. 
Meu tempo é hoje.


dor,

Dor e gratidão


"Pacientemente sentei e esperei que a chuva cessasse (...). 
O calor veio aos poucos e o céu foi limpando com o tempo (...). 
O meu céu ficou azul, então... e aqui já não chove mais.”


Dia 08/11 fará seis meses que minha mãe se foi. 
Na verdade faz mais tempo, porque ela começou a ir bem antes. Até antes do diagnóstico, quando pensamos que ela estava entrando em depressão, tememos que ela estivesse com Alzheimer precoce. Esquecimentos, tristeza, choros desproporcionais, medos, confusões. 
Parece que foi ontem. De um dia pro outro tudo mudou.
Ela foi indo embora aos poucos. 
Por um lado foi bom poder ter esse tempo pra aproveitar, pra nos despedir todos os dias, pra curtir cada momento. Por outro lado foi devastador ver minha mãe deixando de ser ela mesma. 
Não me esqueço de nenhum momento, desde o diagnóstico, exames, hospital, cirurgia, quimioterapia, rádio, recidiva, os momentos finais, até a última vez que olhei nos seus olhos. 
Mas com muita alegria posso garantir que são as outras lembranças que tomam conta do meu coração. As lembranças dos dias felizes, sem doença, ou dos dias que esquecíamos da doença. E Deus nos agraciou com tantos bons momentos!

Todos os dias eu me lembro.
Seja por causa de uma música, um programa na TV, um "Bazzinga" do Sheldon, uma imagem de macaco, uma gracinha das cachorras, um filme de monstros ou uma comida que faço, algo que conheço...Me lembro dela nas pequenas coisas do dia a dia. Tenho ímpetos de telefonar todas as vezes que algo acontece na minha vida. Me lembro dela todas as manhãs, que era quando nos falávamos pelo telefone. 
As vezes, como hoje, essas lembranças transbordam pelos olhos e eu choro. Na maior parte dos dias essas lembranças tiram de mim um suspiro, em alguns momentos até um sorriso. 
Mas todas as vezes dói.

No entanto, a dor é felizmente muito diferente da depressão. 
Ela é triste, terrível, mas não deixa de ter sua esperança. A morte da minha mãe me abalou imensamente, mas não me mergulhou em trevas insuportáveis. Nunca perdi o desejo de viver, apenas por não tê-la aqui. E encontrei verdadeiro consolo em Deus e Sua palavra, também no amor do meu marido, da minha família, amigos e até de estranhos. Deus é bom!

Recentemente estive em Rio Preto, foi a primeira vez desde que ela morreu. 
Eu estava com medo, haviam centenas de lugares que eu receava ir, por estarem tão repletos de lembranças dela. Mas foi bom estar nesses lugares. Eu senti como se fosse mais uma fase do luto pra atravessar. Estar com minha irmã, meu padrasto, no apartamento, na casa das minhas tias, passar em frente a sacaria, as ruas onde ela andava, tudo me lembrava ela, e o que achei que seria dilacerador foi de certa forma confortante. Não sei explicar.
É um misto de dor e gratidão. 
Dói não ter minha mãe, mas sou imensamente grata pelo tempo que tive. Por tudo que vivemos, fizemos e sentimos. Por todas as lembranças. As boas que me fazem sorrir, e as tristes que me fazem mais forte. 

Hoje enquanto escovava os dentes, depois de uma tarde de muito choro, pude perceber que estou feliz. As coisas estão voltando ao lugar. 
Vezenquando chove por aqui, mas isso não é motivo de infelicidade. Me sinto cada dia mais forte. E sei que amanhã será mais fácil do que hoje, porque hoje foi mais fácil que ontem.

O tempo acaba trazendo o alívio. 
Mas ele não se apressa, e essa espera é uma incrível escola de crescimento pessoal. 


"E eu quero é andar por esses caminhos para ser a prova viva do que acontece quando a gente tem esperança;
E eu quero é andar por esses caminhos para ser a prova viva do que acontece quando a gente tem perseverança."