dor,

Rascunho de mim mesma.

Com dor reflito sobre o local baixo que me coloquei, que luto para sair, sem completo sucesso. Pergunto-me como fazer para deixar de ser uma mulher suplicante, meio mendiga, meio coitada, para tornar-me mulher que se corteja. 
Sei que o assunto já está batido. Passei o último ano todo dizendo que precisava sair desse lugar, que precisava me amar e mudar minhas atitude. Mas ainda não resolvi esse problema. 
Minhas resoluções vão por água abaixo no primeiro contato, no primeiro: "preciso de você". Eu me desarmo e me entrego. E depois ele vai embora. Com ela.
E eu fico aqui, tola, ridícula, aguardando a próxima chamada.
Me contentando com encontros pela madrugada, com cobranças desproporcionais, com requisições abusivas. Migalhas dormidas do seu pão.
Mais uma vez: "raspas e restos me interessam".
Não deveria.
Eu sei quem eu sou. Eu sei o valor que eu tenho.
Já fui amada, já vivi relações inteiras e recíprocas. Onde foi que perdi meu amor próprio?
Em qual momento passei a ser esse rascunho de mim mesma?