Me lembro bem do dia em que decidimos então pelo fim. Depois de ininterruptos oito anos. O primeiro foi de tremedeira nas pernas, descobertas. Tudo era novo, intenso, excitante. No segundo enfrentamos a distância e sobrevivemos a ela por 3 anos. Nos tornamos melhores amigos, melhores companheiros. Nos anos seguintes fortalecemos a relação, curtimos, fizemos planos. Finalmente, o sétimo ano mostrou que havíamos nos tornado dois. Definitivamente, duas novas perspectivas de vida.
Demoramos um ano quase inteiro pra realmente aceitar que os caminhos tinham se afastado.
Ele não pediu que eu ficasse. Eu não tentei ficar.
Chorei. Não pq ainda o amasse como o homem da minha vida, mas pq o amava.
Eu deixei escapar que nunca iria esquecê-lo, de forma alguma. Ele apenas sorriu e me abraçou. Relembramos de nossos planos, da nossa história, nos perguntamos como as pessoas reagiriam a notícia do fim.
Fui embora pra casa, pela última vez ele me levou até meu apartamento. Eu sabia que não teria volta.
E prometi pra mim mesma que iria aproveitar minha liberdade, essa nova vida.
Depois de oito anos sendo a garota de alguém, eu seria mais eu mesma. Mais de mim mesma.
Um ano se passou desde o fim. E nossas vidas continuaram.
Eu vivi algumas histórias, conheci outros corpos, outros cheiros, outros beijos.
Amei e fui amada. Sorri e chorei.
Ele arrumou uma nova namorada.
Sempre peço aos amigos que digam a ele que estou muito bem,obrigada.
E recebo as mesmas notícias sobre ele. Não sei se ele pergunta por mim, espero que sim.
Hoje coleciono casos frustrados, histórias com caras não tão bacanas assim, que nunca me olharam verdadeiramente. Mas faz parte. É preciso passar por tudo isso.
É inevitável que eu me pergunte como teria sido se não tivéssemos terminado.
É impossível não lembrar dos finais de semana no sítio, quando acordo ao meio dia por não ter onde ir no domingo. Não serei hipócrita, sinto uma leve tristeza quando penso em tudo o que poderíamos ter sido.
Espero realmente que ele esteja feliz e bem acompanhado, com alguém decente,
que o ame. Que ela seja um pouco menos do que eu fui rsrsrs. Mas que seja especial.
Querendo ou não penso nele de quando em quando. Se escuto determinadas músicas, ou se olho pela janela da minha sala e vejo a luz de seu quarto acesa. Me pergunto se ele pensa em mim. Eu acredito que sim.
Sinto falta das nossas brincadeiras, de assistir filmes de terror no sábado, comendo pizza de banana com bacon. Sinto falta até das brigas.
É uma saudade gostosa sabe? Uma saudade que não me leva até o telefone, muito menos até seu apartamento. É uma saudade que me faz ter certeza de que eu mereço viver uma história de amor tão profunda quanto essa que vivi. Ou mais.
Essa saudade me dá forças pra não aceitar menos do que mereço. Pq eu já tive reciprocidade. Eu já tive companheirismo e cumplicidade. Eu já tive alguém por inteiro.
E vejo um mundo de possibilidades a minha frente.
Se já é difícil dar adeus quando não se ama, imagina quando se ama. Não é simples colocar um marcador de página numa história de amor e abandonar a leitura. Reconhecer que jamais terminaremos aquele romance. Não haverá recompensa por aquilo que se leu até ali. Ninguém nos contará o que aconteceu. Não participaremos do final feliz: os filhos, a velhice lado a lado, a casa cheia de netos. Não estaremos juntos na derradeira linha. É morrer sem ter morrido. É desaparecer estando onipresente. (Fabrício Carpinejar)
.gif)

Amor
Reflexões
Fé
Livros
Vida