Hoje bateu uma saudade daqueles anos em que eu ainda morava com vocês. Sempre que eu chegava da escola sentia aquele cheiro bom de comida "da vó", e depois sempre tinha bolo de fubá, pão caseiro, pão de queijo, bolinho de chuva e todo tipo de delícias. E as histórias que vcs contavam? Eram tantas, as vezes repetiam mas eu nunca me cansava! O mês de julho chegou, e junto com ele as lembranças das férias de meio de ano, quando eu tinha o dia todo pra brincar, dormia tarde mas acordava cedinho pra aproveitar tudo. Me lembro de assistir "Viva o Gordo" até tarde na sala, e depois ir quietinha pra cama pra minha mãe não perceber. Me lembro da casinha que o senhor, vô, fez pra mim. Me lembro de deitar no colo da senhora, minha vó, e ficar recebendo cafuné até dormir. Já se passaram tantos anos desde que vcs se foram, como eu gostaria de tê-los ainda comigo...
As coisas por aqui vão bem. Já não sou mais uma menina. Já me formei em direito. Me casei há mais de seis anos e foi inevitável naquele dia que meu coração sentisse a falta de vcs. Ele é um moço bom e lindo, cuida de mim e vcs teriam gostado dele! Ele me dá forças pra seguir em frente nessa vida tão cheia de dias difíceis.
A nossa casinha lá na travessa Otávio Luis Marchi ainda existe.Está bem diferente de antigamente, foi reformada e pessoas que não conheço hoje moram lá. A rua foi asfaltada, abriram novas ruas ali perto, o tempo passa e tudo muda.
Algumas pessoas se foram desde que vcs não estão mais aqui, entre elas o tio Nê. Aquela doença maldita. Foi assim, de repente, não sei se a vó suportaria,foi tudo muito sofrido, mas conseguimos superar. A mãe tá machucada e se cuidando,espero que ela largue o cigarro, mas vcs sabem como ela é cabeça dura, as tias e tios estão bem, algumas doenças, alguns perrengues, o normal de quando a idade chega.
Sinto uma saudade danada de vocês dois. Saudades da comida da vó. De ouvir seus passinhos curtinhos pelo corredor da casa. De jogar dominó com vocês.Saudades vô! De vê-lo sentado com o radinho, os gibis e a Deby debaixo da cadeira. Tantas lembranças! Vô e vó deviam ser pra sempre! Queria tanto dar um abraço bem forte em vocês, deitar no colo e ser criança de novo. Amo vocês, e talvez eu não tenha dito tanto com palavras quanto deveria quando vocês estavam comigo, mas sei que vocês sempre tiveram certeza.
Com amor e com saudades.
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