Ana Jácomo,

Ana, fale por mim...


Tenho aprendido que grande parte daquilo em que juramos acreditar pode ser somente 
crença alheia que a gente não passou a limpo. 
Que pode haver algum conforto no acordo tácito da hipocrisia, mas ele não faz a vida cantar.
Que se não tivermos um olhar atento e generoso para os nossos sentimentos,
podemos passar uma jornada inteira sem entrar em contato com o que realmente nos importa. 
Que aquilo que, de fato, nos importa, pode não importar a mais ninguém 
e isso não tem importância alguma.

Que enquanto não nos conhecermos pelo menos um pouquinho, rabiscaremos cadernos e cadernos sem escrever coisa alguma que tenha significado para nós.



Tenho aprendido com o tempo que quando julgamos, falamos mais de nós do que do outro. 
Que a maledicência acontece quando o coração está com mau hálito. 
Que o respeito é virtude das almas elegantes. 
Que a empatia nasce do contato íntimo com as nuances da nossa própria humanidade. 
Que entre o que o outro diz e o que ouvimos existem pontes ou abismos, 
construídos ou cavados pela história que é dele e pela história que é nossa. 
Que o egoísmo fala quando o medo abafa a voz do amor. 
Que a carência se revela quando a autoestima está machucada. 
Que a culpa é um veneno corrosivo que geralmente as pessoas não gostam de ingerir sozinhas. 
Que a sala de aula é a experiência particular e intransferível de cada um.

Ana Jácomo



A vida machuca. Mas ensina. Simples assim.
A gente chora, se desespera, sofre, depois para, respira e agradece pois fica mais forte. 

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