reflexões,

Natal, saudades e solidão.

Todo fim de ano me vejo tomada por um misto de alegria e melancolia. Alegria pq pra mim é impossível não me alegrar com as luzes, músicas e todo clima de natal. E melancolia pq sempre penso em quem não está mais aqui, e Tb pq faz quase 9 anos que estou longe de casa, e Natal é um momento que pede a presença da família e amigos.
Eu gosto de morar onde moro. Gostei de todos lugares onde morei. Gosto de mudar de cidade, de estar em um lugar novo, conhecer novas culturas. Me sinto privilegiada por poder viver isso. Mas ao mesmo tempo tenho sentido falta de "me enraizar".
Toda mudança é sempre a mesma coisa.
Depois que a empolgação da novidade passa, nos vemos em um processo de adaptação que parece não ter fim. Os dias passam, e a vida se resume a fazer planos pra conhecer lugares novos, parques e restaurantes. E nada disso aplaca a solidão. Nada disso supre a necessidade de um círculo de amizade.
Nada disso supre a necessidade de fincar raízes.
Mas eu me pergunto se isso será possível.
É tão difícil fazer novos amigos, gerar vínculos. Eu nasci, cresci e vivi toda a vida na mesma cidade, mesmo bairro e praticamente mesma rua. Meus amigos são amigos de infância. São pessoas com quem cresci. Fazer novos amigos é difícil pra mim. Ainda mais hoje em dia, quando me vejo cada vez mais criteriosa.

Eu cresci com casa cheia, minha avó teve 15 filhos, tenho muitos primos, minha casa vivia lotada, uma casa cheia de espanhóis falando alto, brigando e rindo ao mesmo tempo. Essa é a minha lembrança da infância, é assim que me sinto em casa. Como cresci no mesmo bairro sempre tive muitos amigos, então além da parentela sempre tinham amigos lá em casa. Sempre foi assim. Hoje em dia quando vou a minha cidade preciso me desdobrar em 20 pra conseguir ver todo mundo (e nunca consigo), os dias ficam tão corridos que não dou conta do celular e redes sociais.
Fico estafada, com saudades do silêncio da minha casa, da minha cidade estranha com gente esquisita que não sabe dar bom dia. Pois é, contraditório não é? Quando estou longe sinto saudades, quando estou lá fico cansada.

Quando eu era criança e adolescente de vez em quando eu entrava embaixo da cama, e ficava horas ouvindo música, lendo, escrevendo no estrado da cama ou apenas ali quieta, de olhos fechados, pensando na vida. Amava esses momentos. Eu ficava feliz da vida quando todos saiam de casa, e eu me via sozinha com meu cachorro. Eram meus momentos. Prezo por eles. Ainda hoje curto esses momentos de solidão. Pq eu amo minha própria companhia, eu e meus livros, eu e minhas músicas, eu e meus programas de TV ridículos. Eu e eu.

[Estou novamente dando voltas e não chegando a lugar algum no texto.
Na verdade só queria lançar aqui o que passa pela minha cabeça, e são tantas coisas que pode parecer confuso e meio sem pé nem cabeça. Tudo bem. Escrevo pra desabafar e não pra ser compreendida. ;)]

Essa sou eu. Uma contradição, sim eu sei.

Amo o silêncio e amo a barulheira da casa cheia.
Amo curtir minha própria companhia e amo ter família e amigos por perto.
Amo a solidão e amo estar acompanhada.
Amo o Natal e odeio alguns sentimentos que ele me trás.

Acho que na verdade o que mais odeio é não ter opção.
Não poder optar entre fazer um programa sozinha ou acompanhada, entre a casa cheia ou vazia.
Essa falta de opção é que tem me incomodado...preciso começar a mudar isso.

2 comentários

Celso Boaventura disse...

Belo texto!! Somos peregrinos...

Marta Andrade disse...

Lindo o texto, e a conclusão é essa sim, a falta da opção, o não poder, isso é o ruim. Amo tu!!